“Eu fui ao cemitério da Saudade com meus pais e minha tia, tinha só 5 anos, quando percebi estava sozinha. Olhei para todos os lados e não vi ninguém conhecido e o lugar estava lotado!” Assim começou o dia em que a professora de história Maria Goreti Bernardes, hoje com 39 anos, se perdeu.
“Era Finados e tinha muita gente. Fiquei perdida, comecei a procurar a minha família e quando vi que não encontrava ninguém comecei a chorar”, lembra Goreti. Para ela, o tempo que ficou sozinha pareceu uma eternidade. “Aí, um policial me encontrou, me levou para uma cabine e anunciou no alto-falante. Eu mesma falava: ‘mamãe, eu estou aqui!’”, comenta a professora.Os pais, já estavam desesperados procurando Goreti em meio à multidão. “O cemitério parecia gigantesco, mas eu me sentia segura com a presença do guarda, que segurava a minha mão.” Quando sua família chegou, foi aquela festa. “Minha mãe chorava de alegria. Hoje, penso que me perdi porque estava distraída. É uma sensação horrível, mas foi passando, pois o policial falava: ‘fica tranqüila, nós vamos encontrar seus pais’.”
O policial é realmente a pessoa mais indicada para se procurar nessas situações. Entrar em desespero não ajuda, pelo contrário, só faz esquecer informações importantes.
O delegado da Delegacia de Investigações Gerais/ Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra), J.J. Cardia, reforça a informação: “Se a criança estiver perdida, procure a orientação de um policial”. Ele lembra que as crianças devem ser orientadas a saber o nome dos pais, onde trabalham e onde moram. “O número do telefone não deve ser divulgado para nunca passar a pessoas erradas”, salienta Cardia.
Outra sugestão do delegado é quando a criança fica perdida em regiões centrais ou shopping. “Caso não veja um policial, entre em uma loja e fale com o gerente ou funcionário, que poderá ajudar a localizar sua família.”
Em situações como essa, também é importante manter a calma. A psicóloga Maria Regina Corrêa Lopes Vanin salienta que a criança precisa estar preparada e orientada pelos pais. “Se a criança é insegura, não confia em ninguém, fica desesperada e não sabe o que fazer.”
“É preciso que a criança tenha certeza do amor e do vínculo com os pais para ficar tranqüila. Essa criança sabe que seus pais também irão procurá-la.”
Crianças desaparecidas
O delegado J.J. Cardia explica que casos como os veiculados recentemente pela imprensa de crianças desaparecidas são raros em nossa região. “Normalmente o que acontece é a criança sair da escola com um amiguinho para ver um brinquedo novo. Esquece do tempo e a família fica desesperada. Já encontramos muitas crianças jogando videogame na casa do coleguinha de classe”, comenta Cardia.
O delegado diz que as crianças devem ser orientadas pelos pais a não conversar com pessoas desconhecidas na rua. “Nunca aceitar presentes, balas, sorvetes, nem acompanhar ninguém para ver um brinquedo ou ganhar um presente”, explica.
Normalmente, a pessoa que tem a intenção de seqüestrar uma criança aproxima-se como amigo ou solicita ajuda, como por exemplo, pedir para a criança ajudar a encontrar um cachorro perdido. Pode parecer uma bobagem, mas é preciso estar atento.
“A pessoa com má intensão faz uma abordagem quererendo ganhar a confiança da criança. Então, não converse para não ser convencido”, reforça o delegado.
Apesar de serem raros, os casos de desaparecimento ocorrem. “O caso mais recente na região é o do garoto Josiel Dias Cardoso, que sumiu da casa dos avós paternos, no distrito de Brasília Paulista em 23 de fevereiro do ano passado”, lembra J.J. Cardia.
Josiel, na época com apenas 2 anos, desapareceu no mesmo dia em que o pequeno distrito, com cerca de 150 habitantes, sediava um torneio de futebol, que reuniu mais de 500 pessoas no local. O seu paradeiro permanece desconhecido até hoje.
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Gente pequena bem preparada
Preparar os filhos para as situações de risco tem sido uma rotina para muitos pais, preocupados com o crescimento da violência e do número de seqüestros.
Mesmo os “pequeninos” já sabem o que fazer em situações difíceis. Victor Eduardo Bombini Ferreira tem apenas 4 anos e sabe informar com clareza o nome dos pais e onde eles trabalham. “Eu estudo na Creche do Servidor e minha mãe diz para eu falar com a polícia se eu me perder”, explica Victor.
Ele conta que já ficou perdido no supermercado, mas foi por pouco tempo. “Eu olhei e não vi a mamãe, aí procurei e achei sozinho”, lembra o menino.
O Gabriel Pereira Feza, 5 anos, passou por uma situação semelhante em um hipermercado, que deixou os pais com “os cabelos em pé”. “Eu vi um palhaço, mas aí ele saiu do mercado e eu fui atrás. Ele correu e eu corri atrás dele para ver onde ia. Quando percebi, estava perdido.”
Gabriel ficou preocupado e até chorou, mas rapidinho os funcionários da loja avisaram pelo alto-falante. “Minha mãe não ficou brava!”
Ele conta que sabe se comportar muito bem e sempre avisa os pais onde está. “Na praia eu falo para a mamãe: ‘vou no mar e já volto’. E volto rapidinho”, diz.
Com o nome dos pais na ponta da língua, Gabriel também sabe o que fazer se algum estranho começar a conversar e dá a dica: “Não pode entrar no papo de estranhos. Se não conhece a pessoa, não pode aceitar nada, nem presente, porque a pessoa pode ser um ladrão”, finaliza.
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Dicas para a garotada
• Saber o nome dos pais e endereço
• Nunca conversar com estranhos
• Não receber presentes e balas de desconhecidos
• Nunca acompanhar ninguém, nem amiguinhos, sem a concordância dos pais
• O policial é a pessoa mais indicada para solicitar ajuda quando estiver perdido
• Se alguém fizer uma pergunta a você na rua (como as horas, por exemplo), responda caminhando lentamente, não pare para falar com o estranho
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Sugestões para os pais
• Orientar a criança, sem amendrontá-la
• Passar dicas de como se comportar em caso de desencontro, atraso ou de encontrar-se perdido
• Criar um código entre pais e filhos, como por exemplo, em emergências, ao telefone chamar o pai por um apelido familiar
• Orientar a criança para, ao final da aula, esperar na escola
• Se a criança vai sozinha para a escola, alguns dias (aleatoriamente) acompanhe à distância para verificar seu comportamento
Delegado J.J. Cardia