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Foliões necessitam de água e alimentação leve no Carnaval

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Quatro dias de muita dança, paquera, namoro, bebida e farra. A “maratona” do Carnaval continua até amanhã e os foliões - até mesmo aqueles que vão passar o feriado ao lado da churrasqueira ou descansando no sofá - podem tomar alguns cuidados para conseguir curtir até a Quarta-Feira de Cinzas sem deixar o corpo de escanteio.

Para os que estão curtindo os bailes e a folia, o intensivista e clínico-geral Luiz Antônio Sabbag, diretor da área médica do Pronto-Socorro Municipal Central (PSM), alerta que o desgaste físico depende muito do preparo de cada pessoa e também das horas de descanso após a festa. “Para se recompor, a pessoa precisa dormir de sete a oito horas. Mesmo que se esbalde e vá dormir às 6h, é necessário esse período de sono para descansar a musculatura”, diz.

O médico também orienta que se o folião sofrer uma torção enquanto dança, deve tentar procurar um pronto-socorro logo após ou no dia seguinte. “Pode ser só uma contusão, mas também pode ser mais grave. O tratamento precoce vai ajudar a não trazer conseqüências mais graves depois”, reitera.

A primeira dica da nutricionista Aparecida Lourdes Ignácio, da Universidade do Sagrado Coração (USC), para os foliões é não deixar de se alimentar pelo menos duas horas antes de sair de casa. Ela indica um cardápio leve, com verduras, carboidratos e frutas. “Os carboidratos dão energia para os músculos, afastam a fadiga e você vai demorar mais para ficar cansado”, diz.

Durante o Carnaval, o organismo perde muito líquido por conta da agitação e também do calor do verão, que é maior dentro dos salões. Aparecida orienta que o consumo de água, refrigerante, sucos ou bebidas isotônicas não deve ocorrer apenas quando a pessoa sentir sede, mas em intervalos constantes, pelo menos uma vez a cada hora.

“Eu sugiro a água e também os isotônicos porque têm potássio, sódio e cloreto, que são importantes para o organismo e têm rápida absorção. Os sucos também reidratam, mas têm açúcar e outros componentes que o organismo leva mais tempo para absorver”, explica.

Álcool

Para muitos, não há Carnaval sem bebida alcoólica. Copos de cerveja, caipirinha ou um uísque com gelo não saem das mãos de alguns foliões mais empolgados. Mas o consumo de álcool em excesso pode acabar de vez com a diversão. O estudante Danilo José Teixeira Sanches, 22 anos, relata que acabou perdendo a festa e a namorada no Carnaval do ano passado.

“A gente acha que no Carnaval é permitido exagerar. Comecei a beber e misturar caipirinha, cerveja, vodca. No meio da noite, vi um rapaz conversando com minha namorada e parti para cima dele. Era um primo dela. Ele me quebrou um dente, eu desmaiei e ainda ela terminou comigo. Espero que este ano eu consiga terminar o Carnaval com todos os dentes”, brinca.

Durante a noite, para reduzir os efeitos da bebida no organismo, Aparecida sugere que as doses de álcool sejam intercaladas com uma garrafa de água ou uma lata de refrigerante. “Isto não significa que a pessoa não vá se alcoolizar, mas levará mais tempo para isto acontecer. A bebida desidrata e a água hidrata, então você faz um balanço”, ressalta.

Segundo a nutricionista, todas as bebidas alcoólicas, mas especialmente as destiladas, aceleram a perda de líquidos e a desidratação do corpo. Ela recomenda que os foliões não exagerem na água depois de beber várias doses de álcool. “O pessoal costuma tomar várias latinhas de cerveja e depois se enche de água. O estômago dilata e a sensação de mal-estar será constante, a pessoa vai ficar mais propensa a ter náuseas, enjôos ou até desmaiar, porque está saturando o organismo de líquidos”, afirma.

De acordo com o clínico-geral Luiz Antônio Sabbag, uma pessoa que exagera no álcool e chega a entrar em coma acaba perdendo os dias seguintes de festa. “Mesmo depois de tomar glicose, a pessoa fica com enjôo e não consegue se alimentar bem. O corpo não tem os nutrientes suficientes e ela não tem pique para pular mais uma noite.”

Depois da farra, é comum a fome bater e a galera encarar um lanche ou uma canja nas lanchonetes. Porém, Aparecida adverte que estas opções podem fazer mal aos foliões. “Você deve repor o que perdeu na folia: líquido e carboidrato. Você não perde massa gorda, então, não pode tomar uma canja gordurosa, rica em lipídios, nem comer um lanche, porque a pessoa vai dormir logo depois. É melhor escolher uma refeição leve, como um caldo verde à base de batatas e couve.”

Se a sugestão da nutricionista não pareceu muito agradável, uma alternativa pode ser uma salada de frutas, uma verdura ou um sanduíche natural.

A ressaca bateu?

Cabeça girando, estômago doendo, mal-estar, enjôo, enfim, ressaca. A primeira dica da nutricionista é ingerir muito líquido, e principalmente água, durante todo o dia. Quem exagerou na noite anterior também deve evitar fazer exercícios ou caminhar sob sol forte. “Mas não é para ficar em casa, deitado no sofá. A pessoa deve se locomover, fazer uma caminhada leve, colocar o organismo em movimento. Banhos frios também ajudam”, indica.

E para repor as energias, Aparecida sugere refeições leves e pequenas, durante todo o dia, à base de verduras, legumes, frutas e carnes magras.

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