O delegado de polícia Dinair José da Silva alerta que um novo golpe está sendo aplicado em Bauru. Pessoas estão usando o nome da empresa Telefonica para obter informações detalhadas sobre pessoas e residências. “Não se sabe quais são os objetivos deles - se furtar o morador, se usar documentos -, mas a empresa já informou que não autoriza seus funcionários a fazer esse tipo de visita”, informa.
O agente de escolta Márcio Telles de Souza, 29 anos, conta que foi vítima do golpe na semana passada. “Recebi um telefonema de uma moça dizendo que era da Telefonica e perguntando se eu aceitaria fazer uma entrevista sobre (o serviço de) secretária digital. A moça fez um monte de perguntas sobre meus bens, quantas televisões, vídeocassete, e depois marcou a entrevista para às 15h do dia seguinte”, conta.
Na quarta-feira da semana passada, um homem dizendo ser Adauto teria telefonado para Souza pedindo para antecipar a entrevista. Ao chegar à residência da vítima, o homem entregou ao rapaz o xerox de uma carta com a logomarca da empresa. O texto citava nome completo e número de documentos de Adauto, informando tratar-se de funcionário da Telefonica.
Cartas deste tipo podem ser facilmente forjadas, recortando-se a logomarca de uma conta telefônica, por exemplo, e colando sobre uma carta já escrita. Na fotocópia, tem-se a impressão de que a carta foi redigida ou impressa em papel timbrado.
“O homem disse que precisaria ficar algum tempo na minha casa para acompanhar quantas ligações eu fazia ou recebia, perguntou se faço muito DDD (ligações interurbanas), se tenho celular, quantas pessoas moram na casa, onde eu trabalho, horário do meu serviço. Em troca, eu ganharia uma cesta de café da manhã. Era um homem muito educado, bem vestido e ele gravou boa parte da conversa”, relata Souza.
A vítima afirma que só percebeu tratar-se de uma fraude ontem, assistindo a uma reportagem na televisão. “Uma moça estava contando que passou pela mesma situação, mas ligou para a Telefonica e descobriu que a empresa nem tem esse tipo de serviço”, lamenta. Percebendo o golpe, o agente de escolta procurou a polícia.
Segundo o delegado, nenhuma empresa autoriza seus funcionários a visitar clientes ou fazer recadastramento por telefone ou de porta em porta. Ele alerta que não se deve passar nenhum tipo de informação pessoal nesses casos, mesmo que a pessoa esteja usando uniforme ou crachá. O mesmo vale para telefonemas.
Em caso de dúvida, deve-se entrar em contato com a empresa pelo número impresso no boleto bancário.