Apesar do expressivo número de mortes violentas registradas em Bauru durante os cinco dias de Carnaval, a Polícia Militar (PM) aponta que acidentes de trânsito e outras ocorrências, como roubos e furtos, tiveram menor incidência, em comparação com o mesmo período do ano passado. Da última sexta-feira até a manhã de ontem, quatro pessoas foram assassinadas e um homem, suspeito de ter cometido um dos homicídios, teria se suicidado.
Segundo o comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI), tenente-coronel José Alexandre Borin, apenas um homicídio foi registrado no Carnaval do ano passado. “Tivemos este acréscimo, mas os homicídios registrados não estão relacionados diretamente com os festejos carnavalescos e não ocorreram nas proximidades das festas. Por sinal, eles ocorreram em locais onde não poderia existir a intervenção antecipada da polícia”, argumenta.
Durante os cinco dias de Carnaval, a polícia registrou 13 ocorrências de roubo e 29 furtos a cidadãos ou de patrimônio. Segundo a PM, no ano passado foram notificados 15 roubos e 47 furtos. Na opinião do comandante do 4º BPMI, isto indica que a presença de policiais nos locais de aglomeração e também circulando pelos bairros inibiram a ação de assaltantes.
“Atribuo esta redução à intensificação da presença da PM nos bailes e nos bairros. O aumento do efetivo nas ruas durante o Carnaval deixou a cidade mais tranqüila do que no ano passado, apesar dos homicídios”, aponta.
Também houve redução no número de roubos e furtos de veículos. Foram dois automóveis roubados e cinco furtados em 2003, enquanto neste ano a PM registrou somente cinco carros furtados. Destes, três já haviam sido recuperados pela polícia até o final da tarde de ontem, segundo Borin.
Trânsito
O comandante da Base de Trânsito da PM, tenente Jorge Luiz Dias, comenta que o número de acidentes nas vias de Bauru durante o Carnaval foi abaixo da média de outros dias normais e mesmo de feriados prolongados. Foram registrados 25 acidentes sem vítimas e 25 com vítimas nos cinco dias do feriado.
O tenente observa que a média diária de ocorrências registradas pela Base de Trânsito é de 20 acidentes. “Nos cinco dias de Carnaval, tivemos 50 acidentes, índice bem abaixo da média para a cidade, mesmo em comparação com outros feriados”, diz.
Dias aponta como fato positivo ainda a não-ocorrência de vítimas fatais e de pessoas gravemente feridas nos acidentes. “Tivemos 24 vítimas com ferimentos leves e apenas uma pessoa com ferimentos graves envolvidos em acidentes no trânsito. Isto pode indicar que os motoristas estiveram mais cuidadosos e não abusaram durante os dias de festa”, aponta.
Ele atribui o número reduzido de acidentes à própria situação do Carnaval. “Muitas famílias deixam Bauru e vão viajar, então, o número de veículos circulando é reduzido. E nos locais de maior movimento, como os clubes, as pessoas não ficam circulando, deixam os carros estacionados, e tudo isto contribui para a não-ocorrência de acidentes.”
Segundo o comandante, não foram registradas ocorrências de motoristas dirigindo em alta velocidade e tirando racha nas principais avenidas da cidade. “Mas para inibir este tipo de ato, nós precisamos da ajuda da população. Se os moradores perceberem a movimentação de jovens tirando racha, devem entrar em contato com a PM”, indica.
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Mortes
Cinco mortes violentas foram registradas durante os dias de Carnaval em Bauru. Desde o princípio do ano, o número de vítimas de homicídios na cidade já chega a oito. No último sábado, os irmãos Nilson Salles, 38 anos, e Wilson Salles, 36 anos, foram assassinados a golpes de facão em um sítio no Jardim Vitória. O caseiro da propriedade, Manoel Pereira da Silva, foi detido como suposto autor do crime.
No domingo, o soldador Claudinei Theodoro, 42 anos, foi assassinado com uma cavadeira, em sua casa no Jardim Campo Limpo. Um rapaz de 19 anos, Laudelino de Souza Carlos, foi detido como suspeito do crime.
E na noite de segunda-feira, o comerciante Nivaldo Gomes da Costa, 40 anos, foi morto a tiros dentro de sua residência, no Jardim Samburá. De acordo com o boletim de ocorrência (BO) registrado, um policial que chegou ao local presenciou Francisco Elpídio Murbach, 26 anos, se suicidar no quarto da casa, com um tiro na cabeça, após disparar contra Nivaldo da Costa.
A companheira de Costa, Isabel Cristina Caldeira, 26 anos, relatou à PM que a casa havia sido invadida por um rapaz armado e encapuzado. Ela teria conseguido fugir e chamar policiais que realizavam patrulhamento pela avenida Nações Unidas.
De acordo com o delegado do 4.º Distrito Policial, Dinair José da Silva, inicialmente, a polícia trabalhava com a hipótese de latrocínio seguido de suicídio, mas outras possibilidades já estão sendo investigadas. Ele comenta que o depoimento de Isabel apresenta pontos conflitantes, mas não quis divulgar outras informações para não atrapalhar as investigações.