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A segurança do símbolo


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A segurança especial de pessoas e objetos é prática adotada mundialmente, e não apenas em países que, como o nosso, ainda convivem com elevados índices de criminalidade e violência. Paralelamente ao trabalho sistemático da polícia, que alcança toda a sociedade, vêem-se, em toda parte, ações específicas de proteção a cidadãos (como autoridades, personalidades internacionais e testemunhas) e a relíquias, como documentos históricos, achados arqueológicos e itens de grande valor público.

Em todos os casos, a prevenção é sempre a melhor alternativa, em especial quando está em jogo a maior preciosidade do universo, ou seja, a vida humana. Entretanto, as relíquias também merecem proteção, principalmente quando têm alto significado cultural, espiritual, histórico e cívico para toda a sociedade. Quem não se lembra do episódio do furto e desaparecimento da Taça Jules Rimet, de triste memória para toda a população desta terra do futebol?

Felizmente, avançou muito no Brasil nos últimos anos a consciência sobre a necessidade de se adotarem medidas de segurança de caráter preventivo, sempre, claro, que isso se justificar. Dando respaldo a essa crescente tendência, há, hoje, tanto no plano tecnológico quanto na expertise dos especialistas e técnicos em segurança, recursos operacionais de alto nível e grande confiabilidade para essa atividade de proteção preventiva especial.

Exemplo significativo desse avanço é relativo às cartas de padre José de Anchieta, vindas pela primeira vez ao Brasil, procedentes do Vaticano. Nestes preciosos manuscritos, trazidos especialmente para as comemorações dos 450 anos de São Paulo, o jesuíta descreveu a formação da cidade. Os documentos são uma espécie de certidão de nascimento da maior metrópole da América Latina e uma das três mais populosas do mundo.

A preciosidade chegou ao Brasil protegida por fortes e eficazes estrutura e logística de segurança, à altura de seu valor histórico, simbólico e espiritual, além da responsabilidade assumida perante o Vaticano. Tudo isto requer e justifica minuciosa atenção, com a aplicação de todo o conhecimento e tecnologia disponíveis na área da segurança. É importante que exemplos como estes disseminem-se, evitando-se episódios negativos, prejudiciais à Nação e causadores de transtornos e perdas de importantes patrimônios.

A exposição das cartas de Anchieta no Pátio do Colégio, onde nasceu esta São Paulo ecumênica, trabalhadora e superlativa, é de grande significado para os paulistanos neste aniversário, no qual a comemoração teve forte sentido comunitário. É excelente a oportunidade para o renascimento - numa simbiose entre os manuscritos da origem e do sentimento coletivo e cívico de toda a sociedade paulistana - de algumas virtudes que a metrópole sempre teve, desde que os Jesuítas iniciaram sua fundação, ensinando e aprendendo com os filhos da Nação Guarani. Dentre elas, o milagre da paz social, a ser multiplicado todo dia. Que a segurança das cartas de Anchieta estabeleça analogia com um novo tempo de tranqüilidade para esta cidade que tanto amamos.

O autor, Joffre Sandin, advogado, é presidente da Belfort, professor de relações humanas na Academia de Polícia do Estado de São Paulo e vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Vigilância e Segurança - Abrevis.

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