Geral

Leishmaniose humana chega ao 14º caso

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS), por meio do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), confirmou ontem mais dois casos positivos de leishmaniose visceral humana em Bauru. Com isso, sobe para 14 o número de casos humanos registrados no município desde o início de 2003. Somente neste ano já são três casos notificados.

O paciente do 13º caso tem 18 anos e reside no Núcleo Edson Francisco da Silva (Bauru 16), região onde já foram registrados outros casos. A 14ª vítima da doença é uma criança de 7 anos de idade, moradora do Jardim Manchester, região da cidade onde ainda não havia sido registrado nenhum caso de leishmaniose humana ou em cães.

O diagnóstico do morador do Bauru 16 foi confirmado por meio de um teste terapêutico, uma vez que a contaminação não foi detectada no exame de funções de medula, mas com um quadro grave do paciente.

A suspeita do caso foi levantada no início deste mês. O paciente permaneceu internado, sob tratamento, por 30 dias e recebeu alta hospitalar recentemente. Segundo a Secretaria de Saúde, os médicos do Centro de Vigilância Epidemiológica ainda estão estudando o caso por tratar-se de um registro raro na literatura médica.

Em função do caso registrado na criança moradora do Jardim Manchester, os trabalhos naquele bairro já foram iniciados. De acordo com o chefe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), órgão do DSC, José Rodrigues Gonçalves Neto, a investigação para identificar outros possíveis casos da doença também abrangerá o vizinho Parque Santa Teresinha, e deve ser finalizada em até três dias.

“Depois de terminarmos os trabalhos nesses dois bairros, as equipes irão retornar ao Parque Real, onde estávamos atuando até ontem fazendo coleta de sangue em cães. Com a notificação desses dois novos casos, faremos uma pausa e depois (em cerca de três dias) continuaremos com a meta de ampliar as áreas de vistoria próximas a regiões nas quais já houveram casos de leishmaniose registrados”, diz Gonçalves Neto.

De acordo com informações da assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal, as equipes que serão deslocadas hoje para o Jardim Manchester e Parque Santa Teresinha atuarão nas seguintes frentes: vistoria de meio ambiente, trabalho educativo e aplicação de autos de infração, e início dos exames em cães, que, desdobrará para uma outra frente, com o sacrifício (morte) de cães com diagnóstico positivo da doença.

“Uma das dificuldades que ainda encontramos é em relação à forma como as pessoas reagem quando são informadas de que o seu cão está infectado e terá que ser sacrificado. Somente neste mês, cerca de 70 cães foram sacrificados, mas essa é a parte mais difícil do trabalho. Quando o cão apresenta sintomas, é mais fácil convencer o dono. Mas quando o caso é assintomático, tem gente que não deixa levarmos o animal”, relata o chefe do CCZ.

Local

Outra dificuldade, segundo o secretário de Saúde Hanna Saab, é a falta de um local adequado para a permanência dos cães com suspeita de contaminação, principalmente os que não possuem dono. É necessário um local onde esses animais possam permanecer até a confirmação dos exames e sem contato com cães sadios. Em Bauru já são mais de 500 cães com diagnóstico positivo da doença desde o ano passado.

Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, o único espaço pertencente à Secretaria da Saúde que poderia ser utilizado para o controle da leishmaniose seria o canil do Centro de Controle de Zoonoses. No entanto, a União Internacional Protetora de Animais (Uipa) utiliza o local - que necessita de reforma - há alguns anos.

A leishmaniose é transmitida a cães e humanos por meio da picada do mosquito palha infectado. A doença, que tem tratamento nos humanos, pode levar à morte porque debilita o sistema imunológico do paciente. O mosquito transmissor procria-se no lixo orgânico em decomposição, em quintais e terrenos baldios e fezes de animais.

Segundo Gonçalves Neto, desde o início do ano passado foram coletadas amostras de sangue de aproximadamente 3 mil cães. Somente neste ano foram cerca de 400 coletas. No momento, o chefe do CCZ está aguardando o resultado de 150 exames que estão sendo feitos em amostras coletadas.

Comentários

Comentários