Tribuna do Leitor

Pagamento do INSS


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Quando eu tinha 10 anos, eu, meu irmão e meu pai fomos até a cidade de Jaboticabal porque meu tio Mário havia falecido. Naquele tempo, o falecido ficava na sala de sua residência. Não existiam esses velórios sofisticados com café sem açúcar, com açúcar, bolachas recheadas, revistas, jornal do dia, água de garrafão com nome de santo e poltronas confortáveis que os amigos do falecido usam para contar piadas.

Eu brincava no jardim da casa de meu tio quando um senhor de terno escuro, gravata e cabelos grisalhos, perguntou: - É aqui que mora o Mário Rego? - É sim, respondi.

- Eu sou o oficial de justiça e vim trazer uma notificação para o senhor Mário Rego.

Chamei meu pai que veio atender o oficial de justiça (ele mais parecia um agente funerário daqueles filmes de cowboy americano do que oficial de justiça), naquela época eram chamados de “meirinho”.

- Pois não, disse meu pai. O “meirinho” explicou-lhe:

- O senhor Mário Rego ganhou uma ação do INSS e vim trazer a notificação.

- O senhor pode entrar, ele está na sala dentro do caixão, disse meu pai.

Em resumo, quando o beneficiário pode receber, já morreu. Hoje, os oficiais de justiça andam de camisa pólo, calça jeans e tênis de grife, progrediram e existe o velório, outro progresso, mas e o INSS? Será que vai continuar pagando aquilo que os aposentados têm direito (diferença) muitas já pagas por ordem da justiça do mesmo jeito que pagaram o tio Mário há 60 anos? O presidente Lula foi operário, conhece bem as dificuldades dos aposentados, por que não manda começar o pagamento dos que têm mais de 70 anos e fazer um acordo geral com os que têm menos de 70, liquidando de vez com os milhares de processos e atendendo uma reivindicação comprovadamente justa dos aposentados, sofredores e indefesos?

Blasco Peres Rego - OAB 17461

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