Geral

Sobrevivência de famílias depende das vendas efetuadas pelos menores na rua

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Seis menores ouvidos pelo JC levam o dinheiro obtido nas ruas para os pais. A média arrecadada por dia é de R$ 20,00, valor que ajuda na subsistência da família, normalmente marcada pela grande quantidade de filhos e pelo trabalho precário.

O garoto mais velho ouvido pela reportagem vai completar 15 anos em 2004. Há cinco anos ele vende balas de coco nos cruzamentos da cidade. Cada pacote de 25 balas custa R$ 3,00. Ele vende cerca de 7 deles por dia.

“Todo o dinheiro eu levo para minha mãe, que faz faxina. Meu irmão também (trabalha). Vou à escola pela manhã (cursa a 7ª série) e vou ao Consórcio Intermunicipal de Promoção Social (Cips) à tarde. Só à noite tenho tempo para vender”, explica, sem demonstrar prazer pela atividade.

Já outros quatro menores aparentemente encaram as ruas com mais prazer. Um deles diz que a mãe lhe dá apenas R$ 1,00 dos cerca de R$ 20,00 obtidos por dia. Ela está desempregada. “Não posso ficar com o dinheiro senão gasto tudo. Ela (a mãe) só fica brava quando durmo na rua”, confessa ao lado do irmão mais velho.

Os dois, assim como os amigos, garantem freqüência na escola, mas a informação vira piada do próprio grupo, que reclama da falta de dinheiro e ocupação dos pais.

A preocupação com o abandono das salas de aula e com a possibilidade da subsistência nas ruas tornar-se um hábito impede Arnaldo Gonçalves de fazer colaborações financeiras nos semáforos.

“A gente também não sabe se algum adulto está tirando proveito, então, prefiro ajudar as entidades assistenciais”, conta José Carlos Augusto, que contribui com pelo menos cinco instituições.

Já Vanessa da Costa Lopes não resiste às feições infantis e colabora com os menores sempre que tem dinheiro trocado. Porém, ela cobra do poder público atividades que incentivem a participação de crianças e adolescentes.

• Serviço

Outras informações sobre o projeto e os outros 20 programas da Sebes que atendem menores podem ser obtidas pelo telefone (14) 3235-1374.

Comentários

Comentários