Agudos - A ponte da rua Sete de Setembro, que serve como um dos principais acessos à cidade de Agudos (18 quilômetros a Sudeste de Bauru), foi interditada pela prefeitura. A medida foi motivada pela suspeita de que a ponte estaria representando perigo aos veículos que trafegam pelo local.
Um buraco se formou no ‘tabuleiro’ da ponte. Sem saber ao certo até que ponto o dano estaria comprometendo a segurança dos usuários, a prefeitura determinou a interdição da ponte e solicitou um laudo técnico de um engenheiro - o mesmo que teria participado dos cálculos para a construção da obra em 1997.
O laudo, segundo informou o engenheiro Agostinho Têndolo, da prefeitura, deverá ser entregue na segunda-feira. Segundo ele, só depois disso a prefeitura decidirá o que fazer.
Se inicia os devidos reparos ou se libera o local para o tráfego de veículos e de pedestres.
A ponte, embora pequena, é usada como um dos principais meios de acesso, senão o principal, ao Centro da cidade ou, no sentido contrário, à rodovia Marechal Rondon.
Por ela passam veículos leves e pesados, além de moradores que residem no Jardim Santa Angelina, Parque Esmeralda e Vila Honorina, entre outros bairros que ficam mais próximos à rodovia.
A passagem pelo local está proibida desde a semana passada, quando foi notada a abertura no meio da ponte.
O trânsito foi desviado para a rua Prefeito Antônio Condi, onde existe uma outra ponte sobre o córrego Bonsucesso. O acesso fica a cerca de 100 metros da ponte interditada.
Para poder organizar o trânsito, a rua Treze de Maio passou a ter sentido duplo de direção no trecho entre a estação rodoviária e a praça Coronel Delfino Machado.
O prefeito José Carlos Octaviani (PMDB) preferiu não se pronunciar sobre o problema. Segundo ele, a decisão de ficar em silêncio e deixar que os engenheiros falem sobre o assunto tem como objetivo evitar comentários de que a interdição da ponte teria conotação política.
Isso porque ela foi construída na administração do ex-prefeito Afonso Condi, que deverá concorrer novamente nas eleições municipais deste ano, junto com Octaviani, que tentará a reeleição.
No entanto, o ex-prefeito não aceita a imparcialidade declarada por seu adversário político. Na opinião dele, a interdição da ponte é uma “orquestração política descarada”.
“Tudo para criar fato político para denegrir a nossa gestão (1997-2000)”, acusa Condi. Em nota encaminhada ao JC, ele conta que a ponte foi construída em substituição a uma outra que havia no local e que foi destruída após um temporal, em 25 de janeiro de 1997.
Na época, o governo liberou uma verba de R$ 623 mil para recuperar os estragos. Desse total, a construção da ponte nova teria consumido R$ 50 mil, segundo Condi.
Na opinião do ex-prefeito, teria faltado “manutenção à ponte nos últimos três anos e o buraco teria sido provocado para afastar a atenção da população das duas Comissões Especiais de Inquérito (CEIs)” que estão em andamento na Câmara e investigam denúncias contra a atual administração.
Octaviani classificou as declarações do ex-prefeito como “irresponsáveis”. Segundo ele, caso o laudo aponte negligência na construção da ponte, as informações serão encaminhadas ao Ministério Público (MP) “para as devidas providências”.