Para quem tentou e não conseguiu uma vaga nas universidades, é hora de arregaçar as mangas e reiniciar os estudos para o próximo “round”. Começam amanhã em Bauru as aulas dos principais cursos pré-vestibulares extensivos e as escolas oferecem as mais variadas opções.
Um dos mais tradicionais critérios de escolha é o preço. A reportagem apurou que é possível encontrar mensalidades que variam de R$ 140,00 a R$ 680,00. O menor preço equivale a um curso básico noturno, enquanto o maior é voltado para estudantes que pretendem concorrer a uma vaga nos cursos de medicina das universidades federais mais concorridas.
A especificidade das aulas é outro critério. Algumas escolas oferecem cursinhos específicos para determinadas faculdades. Uma delas, além das aulas convencionais de manhã e à noite, tem aulas paralelas no período da tarde para quem vai fazer as dificílimas provas do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), do Instituto Militar de Engenharia (IME), da Academia da Força Aérea (AFA) e da Escola Naval (EN), por exemplo.
“Nossa maior garantia é o seguro-aprovação. O aluno que tem freqüência em sala de aula, boas notas e bom comportamento o ano todo e, no final do ano, prestar pelo menos três vestibulares e não passar, pode fazer o cursinho de novo de graça no ano seguinte”, explica Luciene Adorno, comunicadora social da escola.
O número de alunos por turma também varia entre uma instituição e outra. Na maioria dos cursos, cada turma tem aproximadamente 100 alunos. Alguns estabelecimentos usam o número reduzido para tentar atrair o estudante.
“Nosso diferencial mais significativo é trabalhar com número reduzido de alunos. Nossas turmas têm, no máximo, 20 pessoas. Isso é muito importante porque permite que o professor faça um trabalho personalizado e individualizado. Essa é nossa grande marca”, salienta Carlos D’Incao, proprietário de outra escola.
Mas há quem discorde, como o diretor de escola Clóvis Roberto Benedetti Lourenço. “Nós temos 160 alunos por turma e rende, com certeza. A prova é que tivemos aprovações fabulosas no ano passado. O importante é ter o espaço físico apropriado. Nossas salas são amplas, com ar condicionado, boa iluminação, carteiras universitárias e microfones”, argumenta.
Recursos tecnológicos e conforto são outro atrativo. Muitas têm cadeiras acolchoadas e praticamente todas as escolas trabalham com modernos equipamentos de multimídia em aulas de aprofundamento.
Para o professor e diretor de escola Cláudio José Ferreira, todos esses fatores são relativos. “O que faz a diferença é a dedicação do aluno. Ele tem que seguir a cartilha do cursinho, assistir às aulas todos os dias, depois estudar pelo menos mais quatro horas diárias em casa, fazer os exercícios propostos, procurar o professor em caso de dúvidas, participar das atividades de aprofundamento”, defende.
“O que a gente sente é que os alunos de antigamente, nos anos passados, eram mais aplicados, mais estudiosos. Talvez com essa evolução - porque hoje o jovem tem vários programas para fazer -, a gente sente uma certa perda nesse sentido. Mas há alunos que continuam aplicados e são esses que vão passar nos vestibulares”, comenta o diretor José Carlos Marques.
Avaliação
Para o diretor regional do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), Duda Trevisani, diante de tanta diversidade, o aluno deve fazer uma avaliação aprofundada antes de se matricular neste ou naquele estabelecimento.
“Primeiro ele tem que ver a história da escola, ver a lista de aprovados do ano anterior e checar se houve aprovados daquele cursinho na instituição para a qual ele pretende prestar o vestibular”, recomenda.
Ele afirma que esta prestação de contas é fundamental para a credibilidade da escola. “Hoje, você acha vaga para todo mundo em escolas ruins. O difícil é aprovar nas universidades concorridas. E eu sei de estabelecimentos aqui em Bauru que aprovam centenas, mas nunca aprovaram um único aluno na Universidade de São Paulo (USP)”, alerta.
Além disso, Trevisani concorda que o empenho individual é o primeiro passo para a vitória. “Não adianta oferecer cursinhos sofisticados para quem não estuda”, encerra.