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Só faltam 9,997 milhões...


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A indústria gráfica, apesar da recessão, investiu US$ 279,9 milhões em 2003. Os acordos políticos engendrados por conta da conturbada reforma do Ministério tiveram um resultado colateral quase despercebido. Possibilitaram, finalmente, o início do cumprimento de uma das mais marcantes promessas eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: a criação de 10 milhões de empregos. Junto com os novos membros do primeiro escalão do governo serão nomeados mais 3 mil funcionários, por meio de cargos em comissão. Portanto, faltam apenas 9.997.000 postos de trabalho...

Seria cômico, não fossem duas trágicas estatísticas apresentadas na mesma semana da reforma ministerial: Dieese e Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) registraram, em 2003, o novo recorde de sua pesquisa sobre o desemprego na Grande São Paulo (19,9% da população economicamente ativa), desde a criação do índice em 1985; na média das seis regiões metropolitanas brasileiras, revelou o IBGE que o desemprego em 2003 situou-se em 12,3% e, no mesmo exercício, caiu 12,5% o valor dos salários.

Num cenário como este, é inútil conclamar os empresários a venderem mais e chorarem menos, como fez o presidente da República - na réplica hindu à reação em cadeia contra a manutenção da Selic em 16,5%. Vender para quem? A retração do nível de atividades, alimentada pelos juros altos e dificuldade de crédito (para comprar e investir), vai limitando o mercado consumidor e ampliando a exclusão social. O empresariado, claro, quer vender cada vez mais. Esta intenção, muito mais do que nas palavras, está expressa nas ações e no esforço destinado a agregar tecnologia, capacitar recursos humanos, desenvolver processos de normalização e investir, buscando os chamados padrões mundiais de qualidade e produtividade (...)

De maneira geral, grande parte dos setores empresariais está empenhada no avanço do binômio recursos humanos/tecnologia, essencial à inserção competitiva do Brasil na economia globalizada. A cada ano, contudo, a política econômica minimiza os impactos positivos de todo esse esforço. Numerosas indústrias encontram-se hoje às voltas com a capacidade ociosa de sofisticados e caros equipamentos, que deveriam estar produzindo bens a serem vendidos a trabalhadores que fizeram cursos técnicos, se aperfeiçoaram, se prepararam para a automação e a mecatrônica, mas estão desempregados e, portanto, não compram. Subverte-se, assim, a lógica mais elementar da economia e das leis de mercado. (O autor, Fabio Arruda Mortara, é empresário gráfico, presidente da Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica e da Associação dos Amigos do Museu da Indústria Gráfica)

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