Ciências

Imunização anti-rábica em estudo na Unesp evita sacrifício de animais

Da Unesp
| Tempo de leitura: 2 min

Vacina anti-rábica produzida por cultivo celular pode ser uma alternativa à tradicional vacina contra raiva, elaborada em tecido nervoso do cérebro de camundongos.

O produto está sendo desenvolvido pelo Instituto Butantan e testado por pesquisadores do Departamento de Apoio, Produção e Saúde Animal do curso de Medicina Veterinária da Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araçatuba.

Os testes estão em andamento desde agosto do ano passado e devem durar até o fim de 2004.

Realizados em cães e gatos, os testes consistem em vacinar e colher o sangue de animais, periodicamente, durante um ano.

O objetivo é medir o grau de proteção proporcionado pela vacina. “Com esse projeto nos propusemos, em colaboração com o Instituto Butantan, a estudar a resposta imune humoral (mediada por anticorpos) desencadeada pela vacina, utilizando esquemas de vacinação diferentes para cães e gatos. O título de anticorpos nestes animais será avaliado durante um ano para escolha do melhor plano de vacinação a ser recomendado”, explica a veterinária Luzia Helena Queiroz da Silva, coordenadora da pesquisa.

Em gatos, amostras de sangue são coletadas nos meses 1, 2, 3, 6 e 12 subseqüentes à primeira dose. Em cães, nos meses 1, 2 e 6.

A principal diferença entre as duas vacinas está no modo de produção. A em teste é feita pelo método de cultivo de células. Neuza Gallina, chefe da Seção de Raiva do Instituto Butantan, explica que no cultivo celular são utilizadas células provenientes de animais ou vegetais.

Essas células são colocadas em meio de cultura rico em nutrientes para que sobrevivam e se multipliquem. “Ao contrário de outros microorganismos, os vírus precisam de uma célula para se multiplicar”, esclarece.

A vacina aplicada nas campanhas é produzida em cérebro de camundongos lactentes. “Na tradicional vacina contra raiva, para que o vírus rábico se multiplique ele é injetado no cérebro de camundongos de até 1 dia. Depois é colhido o cérebro destes animais e com essa massa contendo tecido cerebral e vírus rábico é preparada a vacina”, relata Neuza.

A veterinária Luzia destaca o aspecto positivo da produção da nova anti-rábica: “Não será preciso sacrificar um número enorme de camundongos”. Segundo ela, os testes têm comprovado a boa eficiência do novo produto. “Os resultados obtidos em gatos mostram que, pelo novo método, a produção de anticorpos é até vinte vezes maior”, conta.

Luzia aponta outra vantagem da nova vacina: ela é mais purificada e, por isso, mais segura para os animais, por não provocar efeitos colaterais como alergias e choques. Além disso, por ser feita em células, contém uma quantidade maior de vírus, induzindo uma resposta mais elevada e duradoura.

Além de Luzia, participam da pesquisa alunos e outros docentes do curso de Medicina Veterinária da Unesp. Ainda não há previsão de quando a vacina poderá ser comercializada. “Experiências desse tipo levam anos para terem sua eficiência comprovada e atestada por diversas entidades”, afirma.

Comentários

Comentários