A omissão da prefeitura referente à informação sobre a primeira morte por leishmaniose registrada em Bauru foi denunciada na sessão legislativa de ontem pelo vereador João Parreira (PSDB). Ele soube do caso através de um programa da rádio Bandeirantes, ancorado pelo jornalista Luís Roberto Tizoko.
“Requisitamos a fita veiculada (pela rádio) onde a filha de um cidadão que morreu de leishmaniose contou a história. Quando ocorre uma morte, que pode causar contaminação de outras pessoas, o mínimo (a ser feito) seria alertar a população para que providências mais sérias fossem tomadas, tanto pela população quanto pela administração”, critica o parlamentar.
Na opinião dele, a Secretaria Municipal de Saúde ainda não adotou medidas eficazes para evitar que a doença se alastre na cidade. “A leishmaniose está pipocando em todos os setores do município e ainda não há um local adequado para deixar em isolamento os cães que têm suspeita da doença. Isso é o básico, é o primordial”, dispara.
Estrutura
A falta de estrutura para acomodar cães nesta situação foi confirmada pelo secretário municipal de Saúde, Hanna Saab, na semana passada em matéria publicada pelo JC. Em Bauru já são mais de 500 cachorros com diagnóstico positivo da doença, desde o ano passado.
O único espaço pertencente à Secretaria da Saúde que poderia ser utilizado para o controle da leishmaniose seria o canil do Centro de Controle de Zoonoses, informa a assessoria de imprensa da prefeitura, No entanto, a União Internacional Protetora de Animais (Uipa) utiliza o local - que necessita de reforma - há alguns anos, porque o terreno foi cedido pela prefeitura, segundo informa a Uipa. “Não adianta ter um setor de vigilância sanitária, quando esse setor não tem aporte e não tem condições de trabalhar”, conclui o vereador, que considera a doença preocupante por ser fatal.
O índice médio de mortalidade provocado pela leishmaniose no Estado de São Paulo é de 10%, conforme dados da Vigilância Epidemiológica do Estado citados pelo infectologista Marcelo Pesce Gomes da Costa.
“Em 1999, 29,4% dos pacientes com a doença morreram. Em 2000 não foram registrados óbitos. Em 2001, 5,3% morreram; em 2002, 11,4%, e no ano passado, 13,3%. Neste ano, dados provisórios dão conta de 8,3% mortes do total de pacientes”, informa Pesce.
Uma delas foi a de uma criança de 8 anos, que morreu no final de janeiro em Guarantã (78 quilômetros a Noroeste de Bauru). A criança estava internada na Santa Casa de Marília, onde passou os últimos dois meses de vida.
“O índice de mortalidade é bem razoável. Não dá para desconsiderar. O percentual de mortes provocadas por tuberculose, por exemplo, é menor”, conclui o infectologista Fernando Monti.