O preço do litro do álcool hidratado em Bauru está R$ 0,11 mais caro do que a média de preço do produto no Estado de São Paulo. De acordo com levantamento semanal da Agência Nacional de Petróleo (ANP), durante a semana de 15 a 21 de fevereiro o produto era comercializado na cidade a uma média de R$ 0,985, contra R$ 0,878 no Estado. Inconformados com a diferença, proprietários de carro a álcool de Bauru viajam quase 100 quilômetros para encher o tanque.
O gerente de cobrança Waldecir Rafael conta que aproveita os finais de semana, quando visita a família em Santa Cruz do Rio Pardo, a 95 quilômetros de Bauru, para abastecer o veículo e rodar com ele durante a semana. “São quase 100 quilômetros de distância e lá o álcool custa R$ 0,72”, afirma, observando que a relativa proximidade não deveria provocar tanta discrepância de preços. “Quem não sai de Bauru está enrolado”, completa.
O município de Jaú, distante 47 quilômetros de Bauru, é apontado como o local com álcool mais barato da região. Segundo a pesquisa da ANP - disponível para consulta no site www.anp.gov.br -, o preço médio do produto em Jaú é de R$ 0,761. Na mesma tabela, porém, o valor mínimo encontrado pela agência na cidade foi de R$ 0,629.
A diferença entre preços mínimos e médios entre as cidades chama atenção. Bauru é um dos únicos municípios pesquisados no Estado em que o preço mínimo verificado é próximo ao médio: R$ 0,96 para R$ 0,985, respectivamente. O preço máximo do litro do combustível na cidade também quase não varia: nesse quesito, os pesquisadores da ANP registraram R$ 0,999.
Sem opção de escolher o mais barato, o consumidor acaba estranhando a semelhança de preços entre os postos de Bauru. O empresário Roberto Gonçalez Cruz afirma que por todas as cidades onde viaja a negócios o álcool está mais barato - e cita Jaú, Lins, Botucatu e Assis, além de postos nas estradas. “Só aqui dentro de Bauru é que tem esse preço”, afirma.
Sonegação
Apesar de fatores que teoricamente favorecem a diminuição do preço do álcool, como a redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do produto de 25% para 12% e a maior oferta de álcool no mercado nestes últimos meses, o responsável pelos preços altos em Bauru são as distribuidoras. A afirmação é do presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) de Bauru, Sebastião Homero Gomes.
“Nós estamos fazendo pressão junto às distribuidoras para que reduzam em alguma coisa no preço do álcool”, diz Homero. Segundo ele, no entanto, o álcool de Bauru não está muito acima do “preço justo” do produto. De acordo com a ANP, o preço médio de venda das distribuidoras para os postos da cidade é de R$ 0,625.
Segundo Homero, outro grande problema seria que o preço dos municípios vizinhos é que está muito abaixo do normal. Ele aponta como causas a adulteração do produto e a sonegação de impostos. “Em Jaú está um caso de polícia”, diz. E acrescenta: “A gente conhece muitos empresários honestos de lá que estão à beira de quebrar, não tem como competir”.
Homero afirma que em Bauru, apesar do preço, a qualidade do álcool não tem sido mais alvo de reclamações. “Não adianta nada ter um posto vendendo barato mas vendendo porcaria”, diz. Segundo ele, a situação já foi denunciada ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal (PF). “Estamos aguardando uma fiscalização urgente”, declara.
Um empresário do setor de combustíveis de Jaú, que pediu para ter seu nome preservado, afirma que há “bandidos” atuando na cidade. “É gente que compra direto sem nota, gente que compra três ou quatro carregamentos com uma nota só”, afirma. E lamenta: “Estou tomando prejuízo no álcool para poder vender o que eu tenho”.
O procurador Pedro Antônio de Oliveira Machado, do MPF, afirma que as denúncias existem - e não só referentes a Jaú. “Existem investigações a respeito de sonegação do álcool envolvendo as cidades de Bauru, Jaú e outras adjacentes”, diz. Por se tratar de investigação sigilosa, o procurador não revelou mais detalhes.
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14 litros
No Estado, o álcool mais barato encontrado pela pesquisa da Agência Nacional de Petróleo (ANP) foi em Sertãozinho, com preço médio de R$ 0,732. Em seguida está São José do Rio Preto, com média de R$ 0,734. Em Ourinhos e Ribeirão Preto, o preço médio é de R$ 0,747 por litro.
Apenas a título de comparação, o consumidor que encher um tanque de 40 litros de álcool em Bauru, com o álcool a R$ 0,985 vai gastar R$ 39,40. Em Sertãozinho, o custo seria de R$ 29,28, o equivalente a uma economia de R$ 10,12, ou quase 14 litros de álcool a mais naquela cidade.
Na outra ponta, São João da Boa Vista (média de R$ 1,043 por litro) e Guarujá (R$ 1,021) são os municípios com álcool mais caro no Estado.