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Globalização para todos


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No dia 23 de setembro de 2003, o secretário-geral das Nações Unidas advertiu a Assembléia Geral que esse organismo internacional se encontrava em uma encruzilhada. Nós, como co-presidentes da Comissão Mundial sobre a Dimensão Social da Globalização, acreditamos que o mundo enfrenta um momento histórico e decisivo. A Comissão foi criada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) para abordar alguns dos desafios que o mundo está enfrentando.

Cremos que o informe da Comissão Mundial que apresentamos, no dia 24 de fevereiro de 2004, oferece argumentos suficientes para que os dirigentes políticos, tanto no âmbito nacional quanto no internacional, se convençam e escolham o caminho adequado para conseguir uma globalização para todos.

Atualmente, a globalização é um tema muito polêmico. Quando iniciamos este processo, também as opiniões dos 26 membros da Comissão eram diferentes, como reflexo de experiências muito diferentes. Procedemos de alguns dos países mais ricos e mais pobres. E formamos um grupo do qual participaram presidentes, sindicalistas, empresários, parlamentares, representantes de grupos indígenas, acadêmicos e assessores governamentais. Esta foi a riqueza e a fortaleza de nosso trabalho. Fomos capazes de conseguir opiniões comuns, uma visão unificadora. E o resultado disso é o relatório.

Nossa conclusão é que o futuro de nossos países e o destino de nosso planeta exigem de nós o reexame da questão da globalização. Nossa meta final é conseguir que a globalização seja uma ferramenta importante para promover o trabalho decente, reduzir a pobreza e o desemprego, e apoiar o crescimento e o desenvolvimento. Está claro que a globalização deve mudar. Seu rumo atual não é ética nem politicamente viável.

Uma globalização justa que crie oportunidades para todos também requer o desenvolvimento de instituições internacionais representativas dos interesses de todos os habitantes do mundo. O governo mundial dever ser mais efetivo, mais coerente e democrático para atender as demandas da maioria. Isso significa mudar as metas, as estruturas e o equilíbrio de poder nas organizações internacionais. Significa dar prioridade a temas como crescimento sustentável, emprego e investimentos, migrações, objetivos sociais, e também à geração de regras justas para o comércio e as finanças. Significa mais democracia, mais transparência e responsabilidade nas instituições encarregadas do governo global.

A verdadeira pergunta não é se a globalização pode ser benéfica para todos. Trata-se mais de como conseguir isso. Apenas quando todos tiverem participação poderemos considerar que a prosperidade obtida com a globalização é sustentável. E, então, poderemos aspirar um futuro pacífico, sobre bases sólidas.

Os autores, Tarja Halonen, é presidente da Finlândia, e Benjamin Mkapa, é presidente da Tanzânia, foram os co-presidentes da Comissão Mundial sobre a Dimensão Social da Globalização.

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