Uma caravana formada por sindicalistas locais filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) vai participar do encontro nacional, marcado para os dias 12 e 13 deste mês, em Brasília (DF), em defesa da manutenção dos direitos trabalhistas e da desvinculação política da entidade com o governo Lula (PT).
Os representantes da comitiva cutista na cidade admitem que a manutenção das relações próximas entre governo e CUT poderá precipitar a proposta, já em discussão no meio, de criação de uma nova Central. A nova representação teria como principal característica a independência em relação ao governo federal, em oposição à CUT.
Embora os representantes de sindicatos cutistas estejam se preparando, em Bauru, para participar do encontro com o objetivo de pressionar o governo em defesa dos direitos inseridos na Consolidação das leis Trabalhistas (CLT), o descontentamento com o comando da CUT estará nos debates.
“O encontro não é um movimento para formar uma nova central sindical fora da CUT. Nós consideramos isso como última opção neste posicionamento contrário à vinculação entre a CUT e o governo”, comenta a representante do Sindicato dos Servidores de Bauru, Eliane Koti.
Segundo ela, a questão principal que move a caravana a Brasília será a defesa de uma reforma sindical e trabalhista que garantam conquistas. “Vamos nos posicionar desde já contra a retirada de direitos. Queremos a renovação da CLT mas não para pior. Até agora o governo indica que só poderá manter o 13.º salário, então vamos dizer o que queremos desde já”, amplia.
Mas Admilson Canuto, do Sindicato dos Bancários de Bauru, reforça que relação CUT-PT será apontada. “O Luiz Marinho (presidente nacional da CUT) parece ministro do Lula. Não é papel da Central dar suporte ao governo. Respeitamos o governo, mas queremos independência e isso significa distância”, critica.
Para Eliane Koti, o encontro vai servir para sinalizar ao comando da CUT. “Vamos defender que o processo ocorra na prática com mudanças no comando da CUT de homens próximos ao poder por companheiros independentes. Se isso não ocorrer, vai precipitar a proposta por uma nova central”, condiciona.
Edmar da Silva, do Sindicato dos Servidores do Sistema Prisional (Sindicop) é mais enfático: “Do jeito que está nós achamos que a CUT não defende os interesses dos trabalhadores, mas do governo”.
Protesto
Os sindicatos querem, entre outros pontos, que a reforma em discussão no Congresso Nacional preserve a jornada de 44 horas semanais, a licença maternidade, o fim de semana remunerado, o pagamento de horas extras com 50% a mais que hora normal e outras garantias.
Os cutistas advertem que o comando da CUT também estaria tomando posição próxima aos interesses empresariais. “O governo criou o Fórum Nacional do Trabalho, formado com empresários, trabalhadores e o próprio governo, em um esforço para preparar a derrubada de garantias e a CUT está apoiando”, cita Koti.
A estratégia durante o encontro nacional será criar um pólo de resistência. “Não vamos fazer na discussão da Reforma da Previdência, quando o governo apareceu com surpresas em cima da hora e penalizou os trabalhadores”, salienta Koti.
A caravana de Bauru partirá em um ônibus para Brasília. Participam desta ação os sindicatos que representam os servidores municipais, os bancários, os professores da rede estadual, os servidores do sistema prisional, fiscais do Estado e da União, os servidores estaduais das demais categorias, auditores fiscais e o PSTU.
Cada entidade pretende levar dois membros para o encontro nacional. Os interessados em participar devem procurar informações junto ao Sinserm (14- 3227-8999). O encontro nacional vai reunir, além da CUT, representantes da Central Geral dos Trabalhadores (CGT), da Força Sindical e de outras correntes.