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A proibição dos bingos no País da jogatina


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À primeira vista, com muita coragem, o governo editou a MP proibindo o funcionamento dos bingos em todo o País. Repentinamente, milhares de trabalhadores começaram a se organizar e sair às ruas reclamando seus direitos - principalmente o direito ao trabalho.

Não quero entrar na discussão sobre o momento político delicado pelo qual passam altas figuras do Planalto. Mas começo a refletir sobre os acontecimentos e me pergunto se as coisas não estão fora de prumo. Sem desmerecer os trabalhadores, que julgo pessoas honestas, embora uma parte delas possa estar sendo usada como massa de manobra para pretensões ainda não reveladas, creio que o foco das discussões está deslocado.

Não caberia aqui, de forma alguma, uma discussão da possibilidade de se abrir novamente as casas de jogos somente para que os empregos sejam garantidos. Se o governo federal não é capaz de gerar os empregos prometidos, isso deve ser discutido e reivindicado. Mas querer que o jogo continue equivale à reivindicação pela continuidade do tráfico pelo simples fato de muitas famílias dependerem dele.

Ora, sabemos que a jogatina no Brasil sempre esteve ligada às situações mais vis. Infelizmente, o próprio governo é um promotor e motivador disso. De olho nos bilhões de reais, não hesita em escravizar milhares que, levados pela propaganda enganosa do próprio governo, destróem suas vidas em busca de soluções fáceis para seus problemas financeiros, ou simplesmente levados pela própria ganância.

Seria muito interessante que os governos estaduais e federal inserissem nos panfletos, nos filmes de propaganda e nos boletos de jogos advertências e figuras semelhantes àquelas que obriga os fabricantes de cigarros fazerem em seus produtos. Imagine só, uma propaganda da loteria federal, ou da loteria esportiva, em que aparecesse o depoimento de um pai mostrando a ruína financeira, destruição do relacionamento familiar e de como ficou desgraçado devido ao vício do jogo.

A discussão não deveria ser em torno dos empregados dos bingos estarem sem trabalho. A oportunidade seria excelente, sim, para se discutir o fechamento de todos os tipos de jogos no Brasil, pelo simples fato de que eles são nocivos às pessoas e ao próprio País. O que me preocupa é que os que podem decidir, com a mesma ênfase dos que são viciados nos jogos, olham para os milhões e até bilhões de reais em jogo e lutam para que tudo continue. E até aumente.

Temo que não farão nada para mudar. Receio que não serão tomadas medidas que visam o bem da nação. Isso só vai acontecer quando Jesus Cristo for, de fato, Senhor deste povo sofrido. Sonho com o dia em que nosso povo pare de correr atrás da riqueza fácil, principalmente atrás dos diversos tipos de vícios, inclusive do jogo, e descubra que “só é feliz a nação cujo Deus é o Senhor” (Salmo 33:12A).

O autor, Edson Valentim de Freitas Filho, é pastor da Igreja Batista Bereana, membro do Conselho de Pastores Evangélicos de Bauru e vice-presidente da Associação das Igrejas Batistas do Centro do Estado de SP.

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