O pivô da crise que abala a estrutura de poder no País desde o mês passado, o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil no governo Lula (PT), Waldomiro Diniz, iniciou sua carreira profissional como cobrador de ônibus em Bauru. A família residiu no Parque Real por 17 anos e Diniz, que se casou e teve uma filha na cidade, ainda passou de cobrador a bancário na Caixa Econômica Federal (CEF), na região central.
Nascido na pequena Guaraçaí (SP), na região de Andradina, em 18/03/1961, o ex-assessor do ministro José Dirceu (PT) veio de São Paulo para Bauru antes de completar o ensino fundamental. O JC descobriu que em 21 de março de 1978 o jovem foi admitido na então empresa Alexandre Quaggio & Cia Ltda, mais tarde ECCB.
Durante a experiência como cobrador, por 10 meses, Diniz se adaptou bem à rotina. “Deixou a empresa sem nada contra. Consta que o pai queria que ele estudasseâ€, revelou uma fonte da empresa. “Antes de ser cobrador, ele ajudou o irmão Zé Roberto em uma loja em São Pauloâ€, completa o pai, Alicino Francisco da Silva, por telefone, hoje morando em Guaraçaí.
Do pai herdou o Silva, mesmo sobrenome do presidente da República, Lula, que o demitiu no mês passado por denúncia de participação em esquema de levantamento de caixa de campanha para candidatos petistas. Da mãe, Ana, recebeu o Diniz. “Voltamos para Guaraçaí há três anos. Vendemos a casa em Bauruâ€, comenta o pai.
Antes de voltar para uma pequena chácara em Guaraçaí, a família vendeu quatro lotes, de 300 metros quadrados cada, na quadra 12 da avenida das Bandeiras, no Parque Real. Quatro irmãos viveram no local em uma casa modesta. “Depois que virou assessor de político, o Waldomiro vinha para cá só de avião e para visitar os pais. Não era de sair de casaâ€, conta um vizinho próximo.
Agenor Dutra Pereira, amigo antigo do pai, cuidou da regularização da venda dos imóveis, um dos quais registrado no 1.º Tabelionato de Notas de Bauru, no Centro, em nome de Waldomiro Diniz da Silva. “Ele me disse que estava trabalhando com o governo do Rio de Janeiro, em 2002. Mas já tinha ido para Brasília antes, ser assessor de deputado e tudoâ€, lembra Pereira.
Waldomiro teve sorte no início da trajetória profissional. “Ele foi contínuo no BNH, servia café e fazia serviço de banco, de 1979 a 1986, em São Paulo. Não pôde fazer concurso para a CEF porque não tinha o segundo grau, mas conseguiu vaga de escriturário sem concursoâ€, conta o bancário Admilson Canuto.
Ele conheceu Diniz no Banco Nacional de Habitação (BNH), na praça Roosevelt, na região da igreja da Consolação, na Capital. “Trabalhei lá esse tempo todo. Era um menino educado, inteligente, com habilidade para conversarâ€, comenta. A vaga na Caixa Econômica Federal (CEF) veio em novembro de 1986, depois que o então presidente José Sarney decretou a extinção do BNH e a incorporação dos funcionários à CEF.
Família bauruense
Em 1989, conseguiu transferência para Bauru, na mesma época da instalação da superintendência regional da CEF. “Muito habilidoso politicamente e com capacidade de expor idéias com facilidadeâ€, sintetiza um companheiro desse período que prefere o anonimato.
Canuto, agora militante do Sindicato dos Bancários, reencontrou Diniz em 1991, quando o ex-presidente Fernando Collor promoveu demissões na CEF. “Eu o encontrei em Brasília articulando pela readmissão do pessoal. Ele tinha espaço aberto com o ex-deputado petista Ayrton Soares e o, na época, deputado José Dirceuâ€, lembra.
Mas Waldomiro firmou outros vínculos em Bauru. Em 07/01/1984 casou-se com Cíndia Meire Gonçalves, natural de Tupã (SP). Divorciou-se em setembro de 1996, conforme processo homologado pelo juiz da 3.ª Vara Cível do Fórum de Bauru, Mauro Ruiz Daró.
“Ele teve uma filha com a Cíndia em Bauru. A Camila hoje tem 18 anos e mora em São Paulo com a mãeâ€, cita o pai de Waldomiro. Hoje, convive com Sandra Ciucci, em Brasília (DF), no apartamento 102, bloco M, na Super Quadra Sul (SQS).
Em Bauru, Diniz ainda construiu uma casa na Vila Nova Esperança. “Quando ele participou da militância junto ao meio bancário, em Brasília, ganhou logo espaço. Ele é cavalheiro e a facilidade em dialogar abriu portas, até conseguir se encaixar nas assessorias petistasâ€, acrescenta Admilson.
Bancários, políticos, colegas informais e militantes diversos conviveram ou conheceram de perto Diniz em sua carreira na cidade e pelos corredores do Congresso Nacional durante sua trajetória. Entretanto, a maioria dos contatados forneceu dados com a condição de que seus nomes não fossem revelados. “Não fica bem ser vinculado ao Diniz agoraâ€, resumiu uma dessas pessoas.
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De Bauru a Brasília
• Waldomiro Diniz da Silva nasceu em 18/03/1961 em Guaraçaí (SP), onde viveu a infância e cursou o primeiro grau.
• O ex-assessor da Casa Civil do governo Lula completou o antigo primário em São Paulo, onde colaborou com o irmão José Roberto Diniz da Silva em um comércio.
• Em 23 de janeiro de 1978 teve seu primeiro emprego formal, como cobrador da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB), onde ficou por dez meses.
• Ele deixou a função de cobrador em 20/10/1978. No ano seguinte, conseguiu uma vaga de contínuo (office boy) no Banco Nacional de Habitação (BNH), onde ficou até 1986, em São Paulo.
• Com a extinção do BNH, os funcionários daquela empresa foram absorvidos pela Caixa Econômica Federal (CEF), ainda em 1986.
• Waldomiro ficou na CEF até 1991, quando foi demitido junto com outros 108 colegas por decisão do ex-presidente Fernando Collor.
• Entre 1989 e 1991, Diniz se transferiu para a CEF de Bauru, exercendo a função de escriturário. Antes, no BNH, tinha conhecido o ex-deputado Ayrton Soares (ex-PT), a quem assessorou no final da década de 80.
• Durante o episódio PC Farias, Waldomiro assessorou a bancada petista no Congresso Nacional, sobretudo na análise de contas bancárias do escândalo que derrubou Collor, em 1992.
• Em 1993, já trabalhava para o atual ministro da Casa Civil, José Dirceu (PT), na época deputado federal.
• Em 1994, assessorou o ex-governador do Distrito Federal Cristovan Buarque (PT), onde ficou até 1998. Depois, atuou como assessor parlamentar no escritório de representação do governo do Rio de Janeiro em Brasília.
• Waldomiro presidiu a Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) entre 2001 e 2002, no governo carioca de Anthony Garotinho (PMDB, ex-PSB) e Benedita da Silva (PT).
• Com a vitória de Lula à presidência da República, Waldomiro assumiu a função de subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil. Foi demitido em 13 de fevereiro passado, sexta-feira, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.