Por conta das últimas ações de busca e apreensão de CDs falsificados realizadas no Centro da cidade pelas polícias Civil e Militar (PM), os consumidores têm tido dificuldade em encontrar estes itens em bancas de vendedores ambulantes. Segundo proprietários de lojas de discos, os reflexos desta situação já são percebidos, com o aumento da vendagem dos CDs.
Ontem pela manhã, a reportagem do JC visitou, sem se identificar como imprensa, diversas bancas de camelôs nas ruas do Centro, na região do Calçadão da Batista, e constatou que poucos vendedores ainda têm CDs expostos para venda. Das 12 barracas visitadas, apenas três ofereciam os discos piratas, e nestas, a mercadoria estava disposta entre outros produtos, ao contrário do que era visto até o final do ano passado, quando existiam ambulantes trabalhando apenas com CDs piratas.
Um dos vendedores relatou que mantinha apenas algumas unidades à venda em sua barraca, temeroso em arcar com mais prejuízos, no caso de novas apreensões. Ele comentou que a maioria dos ambulantes não tem comprado CDs dos distribuidores e estão aguardando a fiscalização diminuir para voltar a vendê-los. Outra vendedora chegou a oferecer mais opções de CDs, que ela mantém escondidos em uma sacola, mas ainda assim, a quantidade de mercadoria era pequena.
De acordo com o delegado do 3º Distrito Policial, Marcelo Haddad, somente neste ano já foram apreendidos 13.238 CDs e 440 fitas piratas. No ano passado, a PM e a Polícia Civil recolheram 5.289 discos e 919 fitas, e em 2002, os números chegaram, respectivamente, a 19.109 e 1.436 unidades.
“As operações estão sendo constantes, pois está se cumprindo a lei. Não abordamos somente os ambulantes que vendem, mas também os que transportam e os depósitos. Agora, estamos fazendo uma investigação para verificar se temos fabricantes de CDs falsificados em Bauru”, afirma o delegado.
Ele alerta que o crime de violação de direitos autorais, conhecido popularmente como pirataria, tem pena de dois a quatro anos de reclusão. “Muitas vezes, os vendedores pensam que a apreensão pode não dar em nada, mas estes inquéritos estão se transformando em ações penais e essas pessoas podem ser condenadas”, aponta.
Aumento nas vendas
Enquanto os CDs piratas eram vendidos de R$ 3,00 a R$ 5,00, os discos originais têm preços que variam de R$ 9,90 a R$ 39,00, no caso de lançamentos de artistas internacionais. Com a redução da oferta de CDs falsificados, Marcos José Querche da Cunha, que é sócio de duas lojas de música, no Bauru Shopping e no Calçadão, indica que tem percebido aumento nas vendas, principalmente no Centro.
“Sentimos que nos últimos 50 dias, quando a polícia deu uma limpada na pirataria, tivemos um aumento substancial nas vendas, de cerca de 20%. Isto é a confirmação de que o CD pirata atrapalha as vendas, porque o consumidor voltou a procurar os CDs originais”, declara.
Na opinião de Cunha, o crescimento nas vendas foi percebido apenas na loja do Calçadão por conta da diferença nos públicos atendidos ali e no shopping. “Normalmente, os clientes que procuram a loja do Centro são aqueles que estão atrás dos sucessos, dos discos que estão sendo divulgados na mídia, que são os mesmos que os camelôs oferecem. Já no shopping, o público procura mais artistas diferenciados. Mas não temos como mensurar como seriam as vendagens atualmente se não houvesse a pirataria”, afirma.
Sílvio Luiz Vieira, que é vendedor de uma loja de discos na avenida Getúlio Vargas, confirma que os consumidores que procuram discos de rock, jazz, blues e outros estilos menos populares não deixaram de comprar. “Tivemos uma redução nas vendas, mas como atendemos um público que gosta de coisas que não são muito comerciais, ela foi menor do que nas lojas que atendem os consumidores de artistas mais populares”, indica.
De acordo com Vieira, os consumidores que ainda buscam os CDs originais são aqueles que optam por ter um produto de maior qualidade e que apresente o encarte completo. Elizabete Garnica, que é proprietária da loja, opina que a redução nas vendas acompanha a retração da economia brasileira.
“O preço de tudo subiu, e como o CD é um supérfluo, um hobby, as pessoas deixaram de comprar. Supermercado, vestuário, calçados também estão mais caros, mas esses você não pode cortar. Na verdade, eu não acho um CD caro. O problema é que a população ganha pouco. Se você vai dar um presente, é difícil encontrar algo de qualidade por R$ 30,00, mas você pode comprar um CD”, argumenta Elizabete.
As estudantes Jaqueline Lopes e Eila Mendes concordam que o preço atual dos CDs é caro, mas dizem que preferem comprar o disco original quando se trata de um artista do qual elas gostam. “Eu compro CD pirata porque é mais barato, mas gosto de ter o original se é uma banda que eu curto. Pelo trabalho do artista, pelos custos da produção, você tem que pagar o preço mais alto”, observa Jaqueline.
Já o vendedor Nilson Fidelis Júnior afirma que não compra CDs falsificados. “Eu prefiro o original, mesmo que o preço seja mais alto. Eu gosto de ter o encarte completo, com as letras. De vez em quando, eu gravo alguns CDs, mas só quando são discos importados e difíceis de achar”, conclui.
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