No Jornal da Cidade de 27/02 pp., deparei-me com matéria em destaque sobre a leishemaniose e as declarações do sr. secretário da Saúde, que suscitam em mim algumas dúvidas e a curiosidade de saber se o sr. em questão conhece o Centro de Controle de Zoonoses. Afirma o sr. secretário que o canil do CCZ necessita de reformas, mas como uma ONG ali está instalada isso atrapalha o combate a doença em questão. Vamos então aos fatos: o canil a que ele se refere é da Uipa, construído (em área municipal) com recursos próprios, e da população de Bauru. O canil do CCZ foi construído em outubro/2003 (é o novo), está vazio, pois não existe sequer um cão. Mas também isso seria impossível, pois não existe alimentação. Por outro lado, fiquei curiosa, pois o referido sr. diz ter que confinar animais sem dono, para que se proceda o exame e determinar se o cão é ou não portador da doença. No caso do animal não estar contaminado, pretende a Secretaria da Saúde devolvê-lo às ruas? O tempo em média entre enviar e receber o resultado do exame é de 40 a 60 dias. Tem a Secretaria da Saúde interesse em arcar com despesas alimentares durante esse período e ao final, sendo positivo, sacrificar, ou no caso de negativo, soltar os animais na cidade?
O CCZ sempre foi um órgão ineficiente em nossa cidade (vide animais de grande porte), pois a Secretaria da Saúde nunca teve interesse em fazer uma política realmente séria com relação aos animais, que, quer queira ou não, existem e são de sua responsabilidade. Não adianta querer fazer saúde pública e não incluí-los, mas com responsabilidade, com várias cidades em nosso país. O CCZ não orienta, não ajuda, não fiscaliza e não pune. A culpa pela grande quantidade de animais errantes em nossa cidade é do próprio CCZ, que se recusa sistematicamente a cumprir a lei municipal 4286/98, no seu artigo 8, parágrafo único. Qual está sendo a política adotada no combate ao mosquito? Nenhuma. Não adianta então exterminar todos os cães de nossa cidade, pois o mosquito irá buscar alimento em cavalos, vacas e outros tantos mamíferos. Note-se que nossa cidade é prolífera em ratos, por isso não faltará alimento para o vilão. Fora a sujeira toda que existe por aqui, tornando o ambiente propício para sua proliferação. Sem combate ao mosquito, Bauru está fadada a ser a cidade da Leishemaniose. Os primeiros casos apareceram há mais ou menos 5 anos e por falta de eficiência está em franca expansão.
Gostaria de saber do Conselho Municipal de Saúde, da Corregedoria da Prefeitura, da Câmara Municipal, da Promotoria da Cidadania e demais órgãos, que se existe tanta discrepância entre o notíciado pela Secretaria da Saúde e ONGs de proteção animal, porque não se coloca em uma mesma mesa os dois, para que se possa fazer o que realmente é certo e não o que algumas pessoas que estão no cargo decidem fazer, embora vá contra toda a literatura pertinente. Quem pagará pelos prejuízos depois, caso não estejam sendo tomadas as medidas corretas? O povo, como sempre? Acredito que a população deveria levar a sério, pois se trata de uma epidemia.
Há alguns anos, na Coluna do Leitor, foram denunciadas todas as mentiras que a Saúde Coletiva dizia com relação às suas responsabilidades. A diretoria foi chamada de mentirosa, mas ninguém se manifestou, ao menos para processar quem acusava. Claro! Ela sabia que as acusações eram verdadeiras e não havia defesa. Na época ela riu muito e deve continuar rindo bastante, pois consegue ganhar o seu salário sem dar satisfações à população. Agora toda culpa é do mosquito, cachorro, etc... etc... etc...
Angela Maria H. da Silva - U.I.P.A