Tribuna do Leitor

Homenagem ao Everaldo Caetano dos Santos


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Conheci o Everaldo em meados de 1999, um pouco antes de eu entrar para este esporte maravilhoso chamado atletismo. Começamos ali na Nuno de Assis, embaixo do viaduto da 13 de Maio, na equipe Corra, com o prof. Damaceno. Assim como eu, Everaldo começou como fundista, correndo provas de 5 e 10 km, sempre tendo o apoio do prof. Damaceno. Depois, em 2000, eu e ele e também como outros atletas fomos para a equipe da ABA. O prof. Damaceno viu que ele era muito rápido e que deveria correr provas de velocidade, ou seja, abandonando o fundo pra se tornar um velocista.

O cabo Alcides, assim como todos os outros atletas, foi um dos maiores incentivadores de Everaldo. Para nós, atletas, o cabo Alcides é um segundo pai.

O Everaldo sempre foi marcado pela luta, disposição e, principalmente, pela vontade de “chegar lá”. Campeão dos Jogos Regionais, Abertos, Paulista e sétimo colocado na prova dos 400m rasos, no Troféu Brasil de Atletismo. Mesmo assim, Everaldo sentia que faltava alguma coisa no seu currículo vitorioso: as Olimpíadas de Atenas.

Nos treinos, demonstrava força, agilidade e garra. Everaldo sempre lembrava que a vida de atleta não é fácil, ou seja, viver do esporte é muito difícil. Ele se mostrava emotivo ao lembrar dos obstáculos, que tanto ele, como nós, encontrávamos nos treinos. Mas sempre tinha em mente uma frase que o cabo Alcides falava para a gente, que o atleta tem que ser um combatente. Lembro-me de uma época em que ele levantava às 5h da manhã pra treinar e, depois, às 8h, tinha que ir para o serviço. Até que, depois de um tempo, largou o serviço para se dedicar ao atletismo, através de um patrocínio. Isso demonstrava a vontade de vencer, de superar todos os obstáculos.

A cada tiro, fosse de 100, 200 ou 400m, nós parávamos para ver ele, sempre incentivando a chegar ao tempo desejado. Ele também observava nós, com nossas corridas, nossos tiros. Isso demonstrava o espírito de equipe, a humildade e a simplicidade dele com nós atletas.

Lembro-me das viagens, principalmente a de São Caetano, das risadas... A cada marca pulverizada, um sorriso estampado no rosto. A cada palestra, que o cabo Alcides fazia com nós, atletas, Everaldo se emocionava, assim como eu, o Jorginho, a Ellen, o Rafinha, o Fábio, a Renata, o Marcelo, e assim como todos os outros. A lágrima era verdadeira. E a vontade de vencer, também. Ele sempre falava da vida difícil, de um atleta, de apenas um patrocínio. Apesar de todos os esforços do cabo Alcides, a dificuldade em se manter no atletismo era evidente.

Ficamos sabendo no dia 25 de dezembro, em pleno Natal, que o Everaldo estava no hospital de Base, através do Damaceno. No dia seguinte, fomos ao hospital, eu e o Heriberto. Falei a ele que iria se recuperar, que iria voltar a competir. No sábado recebi um telefonema às 22h30. Era o cabo Alcides, dizendo que o Everaldo tinha entrado na UTI em estado de coma.

No dia seguinte, fiquei sabendo que ele tinha falecido. No momento, não acreditei, mas vi que o estado dele era delicado, pois tinha quebrado a bacia e perfurado a bexiga.

Às vezes, não acreditamos que o Everaldo tenha falecido, vítima da violência covarde que assola o nosso país e saber que foi por causa de uma besteira de uma briga em que ele tentou apartar e acabou levando a pior. Infelizmente, seu sonho não foi concretizado (o de chegar às Olimpíadas, pois ele iria fazer um teste, uma seletiva para as Olimpíadas), mas a sua lição de vida será marcada para nós como um aprendizado.

Do meu amigo Netto, que me incentivou a escrever esta carta, do Damaceno, do nosso mestre cabo Alcides, do Carlão, do Sapé, enfim, de todos nós, atletas, esta é uma pequena homenagem que eu faço. Valeu, cara! E que Deus o tenha em bom lugar.

Orlando André Martins Gasparini - RG 40.436.612-0

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