O Mercado Central é um lugar para ser visitado várias vezes, se você gosta de cozinhar ou pelo menos se interessa pela arte da gastronomia.
Dentro daquele prédio que, infelizmente, tem como pano de fundo a maior favela vertical do País, o edifício São Vito, chegam a trabalhar mil pessoas. Gente com ou sem sotaque que oferece aos clientes uma fonte inesgotável de produtos.
Além das ervas, dos queijos, dos embutidos e dos sanduíches de dar água na boca, o mercado é uma lição de história e cultura popular. Famílias de imigrantes italianos, portugueses, espanhóis e japoneses, entre outras, há gerações vêm tomando conta dos seus mais de 300 boxes espalhados por suas 20 ruas.
Gente que, acordando de madrugada e trabalhando duro, contribui para que São Paulo seja o que é hoje: a maior e mais progressista cidade da América do Sul.
Andando pelas ruelas, entre barracas de frutas, cereais, carnes e peixes, é fácil encontrar descendentes desses imigrantes que cresceram ajudando os pais e hoje trabalham ao lado dos filhos e netos. Pare e puxe conversa. Você, com certeza, voltará para casa muito mais feliz.
Gente como a gente
Há muitas histórias e delícias espalhadas pelo mercado. Como a da família Amaro, que veio da Calábria, na Itália, abriu seu primeiro “negócio” no parque Dom Pedro e, com a inauguração do “mercadão”, se mudou para lá.
Nesses anos todos, a família foi crescendo, a vida foi mudando, mas a alegria e a satisfação do trabalho persistam.
Dentro do mercado todos do “clã” aprenderam a ser honestos, a respeitar as pessoas e a trabalhar duro. Dois descendentes dos Amaro - Francisco e Ivan - são hoje responsáveis pela comercialização de frutas exóticas e nacionais na banca “Sweet Fruits”.
Outro ponto bastante visitado no mercado é o box de venda de pássaros, aberto quando de sua inauguração, em 1933, pela iugoslava Maria Kisil Goldberg.
Dizem que gente do mundo todo já comprou aves ali. Entre as espécies, raridades, como o pombo-correio.
Poodles, canarinhos, coelhos e muitos outros animais estão ali à venda, atraindo principalmente os inocentes olhos infantis.
Por ser um lugar onde pode-se aliar bate-papo com compras e muita história, o Mercado Central se difere de estabelecimentos do gênero. Um dos descendentes da família Chiappeta, Leonardo, lembra que “ninguém gosta de vir fazer compras e ficar conversando com a prateleira”. O calor humano, no mercadão, faz toda a diferença.
Influência européia
O estilo eclético com elementos neobarrocos foi escolhido pelo arquiteto Ramos de Azevedo para a construção do Mercado Central paulista por estar na moda, no início do século, na Alemanha, Itália e França.
Ramos optou pelo uso de fachadas sóbrias, com colunas internas ou externas. Usou para iluminar o prédio, internamente, telhas de vidro, clarabóias e vitrais coloridos que criam um efeito especial.
Os vitrais tiveram que passar por total restauração há alguns anos, por causa da destruição provocada por rojões acesos dentro do estabelecimento em dias de comemoração.
O vidro colorido foi importado da Alemanha. Ao todo são 32 painéis, subdivididos em 72 vitrais, onde se pode observar o trabalho manual do colono no cultivo e na colheita, a tração animal para o arado e para o transporte, a paisagem, a criação de gado e de aves.
• Serviço
O Expresso de Prata tem ônibus ligando Bauru a São Paulo em vários horários. Informações pelo telefone 3232-3232 ou no site: www.expressodeprata.com.br
O Mercado Municipal Paulistano está localizado na rua da Cantareira, 306. Aberto de segunda a sábado, das 4h-16h, telefone (11) 228-0673.
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São Paulo gastronômico
O Sesc Bauru programou para o dia 24 de abril (um domingo), excursão a São Paulo, dentro do projeto “Passeios de Um Dia - Especial São Paulo”.
Os excursionistas visitarão vários pontos gastronômicos da Capital, incluindo o Mercado Municipal, onde poderão degustar seus lanches e pratos famosos.
O telefone do Sesc é o (14) 3235-1750, site: www.sescp.org.br.