Após uma reunião com representantes do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região na tarde de ontem, o prefeito Nilson Costa (PTB) se comprometeu a enviar um documento à direção do Banespa-Santander solicitando o cancelamento das demissões efetuadas pelo banco desde o dia 19 de fevereiro.
Em Bauru, a entidade afirma que houve nove demissões. Na região de abrangência do sindicato foram 14 no total. Embora a instituição não divulgue números sobre as demissões nem faça qualquer tipo de pronunciamento sobre o assunto, estima-se que cerca de 600 bancários foram demitidos no Brasil nos últimos dias. Somente na cidade de São Paulo, o número de dispensados chega a 200.
A assessoria de imprensa da prefeitura confirmou, no final da tarde de ontem, que o prefeito já encaminhou uma solicitação ao diretor regional do Banespa, Alberto Atílio, pedindo o cancelamento das demissões nas agências do banco na cidade.
A busca de apoio político e institucional junto a prefeitos e vereadores foi decidida por representantes sindicais como forma de pressionar a direção do Banespa-Santander a voltar atrás na decisão - que, segundo o sindicato, até agora não foi justificada oficialmente pelo banco.
Até agora, o Banespa informou aos sindicatos que iria reverter as demissões feitas sem amparo legal ou por erro operacional. Como as demais foram mantidas, o sindicato pode iniciar um movimento de greve dentro de alguns dias. Na próxima terça-feira, dia 9, está agendada uma negociação com a diretoria do Banespa, quando os dirigentes sindicais reivindicarão o cancelamento das demissões.
No dia seguinte, em Bauru, o sindicato se reúne para deliberar sobre a proposta de greve, que deve ser apresentada no dia 13, em São Paulo, durante o Encontro Nacional dos Funcionários do Banespa. Neste dia, se não houver reversão dos desligamentos a greve poderá ser deflagrada.
Filas
Na reunião de ontem com o prefeito Nilson Costa, o sindicato também exigiu fiscalização municipal para verificar o cumprimento da “lei das filas”, que determina em 15 minutos o tempo máximo de espera para atendimento, tempo que se estende para 30 minutos em dias de pico de movimento. Nilson disse aos sindicalistas que encaminhará o pedido à Secretaria Municipal de Planejamento, responsável pela fiscalização.
Os dirigentes sindicais e mesmo bancários na ativa defendem que as demissões agravam o problema das filas nas agências do Banespa. Desde a privatização do Banespa, vendido para o grupo espanhol Santander em novembro de 2000, o sindicato afirma que pelo menos 12 mil funcionários foram desligados do banco, entre demitidos e incluídos no Plano de Demissão Voluntária (PDV).
Atualmente, o Banespa-Santander tem cerca de 13 mil funcionários. Em 2003, a instituição fechou o ano com lucro superior a R$ 1,7 bilhão.