Bairros

Buracos se multiplicam na periferia

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Embora as chuvas de verão não tenham castigado Bauru tanto quanto nos anos anteriores, elas multiplicaram os buracos na periferia da cidade, cujas ruas parecem trincheiras de guerra. O cenário desolador tem a conivência do poder público municipal, denunciam os moradores.

Eles vivem em bairros como o Jardim Eldorado II, Leão XII, Jaraguá, Jardim Carolina, Pousada da Esperança I e II, Jardim Solange, Santa Cândida e tantos outros. Cansados de reclamar, alguns transformaram o que seria trágico em cômico, ao alfinetar a prefeitura.

“Cadê o prefeito? Será que caiu no buraco? Procura-se Nilson Costa”. Estas são as frases estampadas numa placa elaborada por Dorneles Fernandes, morador da quadra 5 da rua Vicente Savastano, no Jardim Carolina. Ele confeccionou outras duas placas cobrando iniciativas da prefeitura. Todas elas estão instaladas na rua, em frente à casa dele.

“Já fizemos outros tipos de protestos. Chegamos a queimar pneus e fechar a rua, mas nenhuma providência foi tomada. Está perigoso andar por aqui até a pé. A rua está praticamente interditada”, reclama o morador ao ver o asfalto ir embora.

Ele também é o autor de outro enunciado, que demonstra um misto de graça e desesperança: “Atenção! A rua daqui sumiu, mas volta nas próximas eleições. Vote certo, candidato bom não tem, o melhor é (votar) nulo”.

Críticas da mesma natureza também são feitas por Benjamin Constant França, morador da quadra 10 da Victório Perin, no Jardim Eldorado II. Segundo ele, em ano eleitoral como o atual, candidatos a prefeito e a vereadores passam pelo bairro apertando a mão de todos, mas depois esquecem as reivindicações populares.

“Fico indignado com este abandono. Pagamos imposto em dia, mas não temos retorno. Já procurei a regional da Vila Falcão para pedir que passem a máquina aqui, mas nada. Quando chove à noite, já sei que não vai dar para eu sair de casa para trabalhar no dia seguinte”, comenta com a aflição de quem convive com terra e lama.

Como autônomo, ele vende queijos e ovos, mas por não conseguir tirar o veículo da garagem para fazer as vendas, arca sozinho com o prejuízo. “Tem vizinho aqui que não tira o carro da garagem desde novembro. Até de bicicleta é difícil passar pelas ruas”, diz.

Alegações

Problemas semelhantes enfrentam moradores das imediações da rua Angelino Berteli Vicentini, no Parque Leão XIII. Rosana Maria de Juli, por exemplo, há dez anos espera a pavimentação do bairro.

Porém, a expectativa dela só se tornará realidade se seus vizinhos aderirem ao plano de asfalto comunitário. A informação parte do secretário municipal de Obras, Jorge Roberto Monteiro, que demonstra otimismo com a adesão dos moradores

O asfalto comunitário prevê a pavimentação de cerca de 600 ruas em que pelo menos 75% dos moradores concordem em pagar pelo serviço. O município assume a parte de quem não aderir ao plano e depois se encarrega de fazer a cobrança. A Secretaria de Obras reservou R$ 4,5 milhões para investir neste projeto.

Porém, enquanto ele não é executado, restam aos reclamantes reivindicar máquinas de terraplenagem para passar nas ruas de terra ou reivindicar o recape através da Operação Tapa-Buraco, realizada pela Secretaria das Administrações Regionais (Sear).

De acordo com o responsável pela Sear, Arlindo Figueiredo, serão priorizadas as ruas que dão acesso a postos de saúde, escolas, creches, além daquelas utilizadas pelo sistema de transporte coletivo. No entanto, ele registrou a queixa dos moradores do Jardim Eldorado II e do Leão XIII.

Já sobre a rua Vicente Savastano, no Jardim Carolina, ele diz que o recape depende da readequação das bocas-de-lobo, que estariam inadequadas. As duas secretarias não deram previsão de quando as obras serão realizadas.

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Sem prazo

As ruas da Pousada da Esperança I e II também não têm prazo para ser pavimentadas. Conforme o JC publicou na semana passada, a administração municipal ainda não utilizou os R$ 300 mil liberados em novembro pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) para a execução da obra, pois não enviou documentação à Secretaria do Estado da Habitação.

Na mesma situação também estão algumas vias públicas do Parque Jaraguá, que seriam beneficiadas por meio de um convênio entre Prefeitura de Bauru e o governo do Estado. Quase três anos após o anúncio da parceria entre os poderes, ainda resta mais de 30% da obra para ser concluída.

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