Não obstante algumas iniciativas com finalidades realmente específicas, a ansiada reforma agrária ainda não chegou ao seu devido destino... Falta-lhe ainda muito para tanto, do que são testemunhos os movimentos reivindicatórios que constantemente surgem em cenários estaduais, gerados e impulsionados por legiões e mais legiões de sem-terras, por cujo problema se vai responsabilizando a agricultura pré-capitalista ou tradicional, reconhecidamente pouco dinâmica e bastante ineficiente, motivo pelo qual está ela fugindo às facilidades que o Estado rotineiramente lhe proporciona. Concomitantemente se realçam as empresas modernas, umas se dedicando exclusivamente às exportações para o Exterior e outras tantas, produzindo para a indústria global e para o abastecimento urbano, todas, porém, objeto de amplíssimas transformações, notadamente nas últimas décadas, quando os manejadores de enxadas, foices e arados foram virtualmente substituídos por tratores e outros tipos de máquinas, estas e aquelas dotadas de extraordinária importância econômica na vida nacional como responsáveis pela produção de alimentos que constituem a base fundamental das refeições dos operários e tantos outros grupos de baixa renda, caso específico do feijão, arroz e milho. Têm todas a sua importância, repetimos, mas também responsabilidades lhes cabem pela deplorável miséria que se acha instalada no seio da população rural, o que, incontestavelmente, constitui penoso desassossego social, que, por si só, deveria forçar o governo a procucar acelerar providências tendentes a agilizar a imprescindível reforma, à sombra da qual até invasões conflitantes, à mão armada, têm ocorrido em não poucas regiões nacionais, defendendo que a nossa agricultura, nascida da inspiração e dos impulsos da corajosa equipe de Cabral, retorne imediatamente ao “status”, que ostentou durante muito tempo como um dos pontos de efetivo apoio da nossa economia e, consequentemente, possa a comunidade rurícola se libertar do abandono em que se encontra e que a aflige e, naturalmente, não continue martirizada pela fome, que a leva para um matagal de lágrmas e velas incontidas. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
“Sempre que possível, quando depender de vós, tende paz com todos os teus semelhantes. Romanos 12,18”