Cinco terrenos abandonados pela Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) na Vila Tecnológica transformaram-se num pesadelo para os moradores do bairro. O mato alto e a procriação de animais peçonhentos não são as únicas razões que tiram o sono dos vizinhos. Os alicerces “esquecidos” no local também ameaçam a segurança das crianças, que se arriscam em incursões perigosas.
“Eu tenho um filho de 8 anos que entra no mato com a criançada. Tenho medo que ele se machuque com os ferros. É difícil controlar meninos nessa idade. Além disso, já estou cansada de matar ratazanas que saem de lá direto para o meu quintal”, desabafa Angela Maria Rodrigues Lepri, moradora da quadra 2 da rua Abílio Zambonato.
De acordo com ela, seu neto de pouco mais de 1 ano quase foi vítima de uma cobra que também migrou para a residência da família. “Eu sou contra tocar fogo no mato, mas os vizinhos fazem isso porque não temos saída”, lamenta Angela.
Neste ano, ela ainda não registrou queixas junto à Cohab. No entanto, sua vizinha Vera Padilha da Silva Soares, que mora na quadra 10 da rua Argemiro Jorge Ferraz, virou freguesa.
“Já enviei oito cartas administrativas e liguei umas dez vezes, mas faz seis anos que a situação é a mesma. Quando a prefeitura realiza alguma atividade no bairro, eles providenciam reparos em volta dos terrenos, porque as máquinas não conseguem entrar por causa dos alicerces. Até propus para eles cederem o terreno, que eu cuido”, diz Vera.
De acordo com ela, como os lotes estão abandonados, tem gente que joga lixo e agrava a situação da vizinhança. “Tem ainda o problema da segurança. Quando meu marido viaja, eu fico sozinha aqui. Tenho medo”, admite.
A continuidade da preocupação dela depende de ações da Secretaria das Administrações Regionais (Sear), informa a Cohab. Segundo o engenheiro da companhia Benedito Geraldo Barbosa Júnior, no início desta semana ele encaminhou à secretaria todas as reivindicações dos moradores referentes ao desmatamento.
Ele garante que assim que o mato for cortado, a Cohab retornará aos terrenos para proteger os ferros dos alicerces. Por causa deles, a Sear terá de aparar o mato alto utilizando uma máquina menor que a convencional. A manutenção ainda não tem data para acontecer. A assessoria de imprensa da prefeitura informa que o pedido está na programação da Sear e que deve ser atendido nos próximos dias.