Setores da oposição e da mídia estão desferindo um ataque sistemático contra o PT com a alegação de que o partido é contra a convocação de uma CPI para investigar o escândalo Waldomiro Diniz. Sustentam que o PT submerge a uma profunda contradição ao não defender uma CPI agora, em contraste com o passado recente, quando defendeu várias CPIs. A tentativa de setores da oposição, de desgastar o PT a qualquer custo, visando auferir dividendos eleitorais, é até compreensível. As Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), na relação oposição/governo, são instrumentos que estão a serviço das minorias parlamentares. Esta verdade faz parte da história das CPIs em todos os países que as adotam e ela é tão evidente que o Artigo 58 da Constituição, parágrafo 3º, que as regulamentam estabelece que o requerimento para sua instalação requer um terço (1/3) de assinaturas de deputados ou senadores ou de ambos, em caso de CPI mista. Este percentual evidencia que as CPIs são instrumentos das minorias para investigar atos do governo.
É contra a lógica e contra o bom senso que, a não ser em casos específicos, os partidos de governo e o próprio governo se posicionem a favor de CPIs. Quando surgem casos que exigem esclarecimento e investigação, o governo age através da Polícia Federal, do Ministério Público e de comissões internas de sindicância. O governo Lula, além de demitir o ex-assessor, determinou investigações pela Polícia Federal, encaminhou o caso ao Ministério Público e está prestando todas as informações para que as denúncias sejam elucidadas de forma rápida e transparente. Determinou também a formação de uma comissão interna de sindicância para que a passagem do ex-assessor pelo Planalto seja colocada a limpo.
A função prática da CPI, além de desgastar a imagem do governo e do PT, consistiria em atrapalhar a agenda da governabilidade, paralisando ações do governo, prejudicando a economia e a sociedade como um todo, que precisam de normalidade política para enfrentar os desafios do crescimento econômico e da geração de emprego.
É verdade que durante oito anos de governo do PSDB, o PT apresentou várias propostas de CPIs. Mas essas propostas se referiam sempre a fatos ocorridos naquele governo e nunca a fatos acontecidos fora do governo ou relativos a campanhas eleitorais. Justamente devido ao jogo do abafa patrocinado por setores dos partidos que hoje estão na oposição e clamam por uma CPI. Esses setores da oposição buscam atacar o PT e o governo para construir seus espaços, sem levar em conta a situação geral do país e os riscos para a economia. O seu simples e inconfesso objetivo consiste em antecipar o calendário das eleições municipais visando enfraquecer o governo e o PT. Nós não nos submeteremos a esse jogo. A coerência do PT consiste em lutar por uma agenda, em 2004, orientada para a retomada do crescimento econômico com geração de emprego e promover os programas sociais de distribuição de renda e de combate à fome e à pobreza. (O autor, José Genoino, é presidente do PT)