Bairros

Representações

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

“Não dá para dizer que existe uma cidade. Existem cidades.” Essa é a opinião do historiador Célio Losnak a respeito das diferentes representações, julgamentos ou opiniões que as pessoas têm sobre a cidade.

A avaliação da cidade pode ser orientada por critérios individuais ou coletivos e depende do repertório e referenciais de cada morador ou visitante de um local. Por exemplo, quem mora em uma metrópole tende a achar Bauru uma cidade pequena. Já quem vem de um município pequeno da região, se assusta com as grandes dimensões.

“Qualquer aspecto pode ser explorado na multiplicidade do cotidiano. A cidade é uma representação generalizadora. Não dá para generalizar em quase nada. Na mesma cidade, duas pessoas vindas de um mesmo local dependem de características como classe social e estilo de vida para avaliá-la”, argumenta.

O historiador, que também é professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), explica que um forte referencial para quem vem de fora é a cidade de origem. Por isso, as pessoas fazem comparações. Os critérios de comparação podem ser materiais ou imateriais - sociais, culturais etc.

“Quem vem de cidade com 30 mil habitantes e quem vem de São Paulo têm referenciais de avaliação diferentes. Quem mora em São Paulo e tem envolvimento com atividades culturais pode vir a Bauru e ter estranhamento, já que aqui não há vida artística tão expressiva”, expõe Célio.

Em outros casos, os referenciais podem ser positivos. “Uma pessoa de bairro periférico de São Paulo carente de infra-estrutura que vem para Bauru e arruma emprego pode ter visão diferente”, acrescenta o professor.

Célio destaca, ainda, que a cidade é composta tanto pela estrutura material quanto pelas relações sociais, que também podem ser base para a formação de representações. “Quando vamos a uma cidade e só entramos em contato com um grupo de pessoas, dizemos que a cidade é agradável, sem ao menos circular por ela. Não podemos nos esquecer de que a cidade também é constituída de outras pessoas”, exemplifica.

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