Thaís da Silveira
Bauru é uma cidade boa ou ruim? As respostas podem ser infinitas. Para os migrantes da Sem Limites, realçar aspectos positivos ou negativos do município depende de critérios pessoais e coletivos.
Alguns acham a cidade grande. Outros, pequena. Há quem diga que a oferta de empregos é boa. Outros, reclamam do desemprego. O clima pode ser excessivamente quente para alguns, enquanto outros julgam que as temperaturas são frias. Sucessivamente, isso se repete com avaliações culturais, sociais, etc.
Vale destacar que Bauru é considerada chão de passagem pela grande quantidade de forasteiros. Boa parte dessa comunidade é formada por estudantes universitários. Outros são trabalhadores. Todos se apropriam diferentemente dos elementos materiais ou sociais que a cidade oferece e, por isso, têm opiniões tão divergentes.
Na opinião do historiador Célio Losnak, ao observar essas diferentes representações (ou conceituações) que as pessoas fazem de Bauru, percebe-se que existem várias cidades dentro de uma só.
O JC nos Bairros procurou grupos de migrantes para saber o que Bauru representa para eles. Ou seja, o que eles pensam sobre a cidade. Vão desde trabalhadores que fixaram residência na cidade há anos, estudantes, ex-moradores, visitantes e até caminhoneiros, que estão sempre de passagem.
Na estrada
“É uma das melhores cidades que tem por aqui, fora Ribeirão Preto. Eu acho Ribeirão Preto melhor. Depois, vem Bauru. Bauru é bom para tudo. Ribeirão é bom para mim”, diz o caminhoneiro Antônio da Silva, 54 anos, morador de Ribeirão Preto.
Ele nunca fixou residência em Bauru, mas desde 1974 faz entregas na cidade. “Em Bauru, parece que a vida é mais equilibrada. Parece que o povo tem mais emprego, mais distribuição de renda. É uma cidade bem arrumadinha. É difícil ter problema. Eu nunca tive problemas”, afirma.
Para Antônio, um dos aspectos positivos é a existência de sanitários públicos nas praças do Centro da cidade, como a Rui Barbosa. Ele explica que, em outras cidades, quando há, eles são pagos.
Renato Rodrigues Martins, 39 anos, mora em Sorocaba e também passa com freqüência por Bauru. Para ele, a cidade é agradável. “É pequena como a cidade em que eu moro. Geralmente, pessoal de cidade pequena é mais acolhedor”, expõe.
Além disso, afirma o município é tranqüilo e tem índices baixos de violência. “Nunca ouvi críticas sobre Bauru”, diz.
Luiz Alberto Alves de Oliveira, 26 anos, também é caminhoneiro e atualmente vive em Piracicaba. Ele não conhece Bauru e passou pela cidade rapidamente há poucos dias para fazer uma entrega.
“Dizem que é uma cidade bastante movimentada, que tem bastante serviço. Tem coisas ruins como todo lugar tem. Dizem que tem uma estação ferroviária onde tem muito roubo e prostituição”, comenta.
Para o vendedor botucatuense Rogério José Lopes Ribeiro, 24 anos, o aspecto mais negativo da cidade é o calor. Ele está morando há quatro meses em Bauru e ainda não se acostumou às altas temperaturas. “Além disso, as ruas são ruins, cheias de buracos. Se eu pudesse, voltaria a morar em Botucatu. Bauru tem um trânsito muito agitado”, reclama.
Já o caminhoneiro Geraldo Fernandes de Souza, 53 anos, conhece a cidade desde 1980, época em que começou a fazer entregas. Ele mora em Maringá, mas diz que se mudaria para Bauru.
“É uma cidadona. Evoluiu bastante. O pessoal é legal. Não sei se é porque eu ando pouco por aqui, mas parece que Bauru não tem muita violência. Eu acho a cidade tranqüila”, avalia.
Outro caminhoneiro, Edegar Barbosa Mesquita, 25 anos, vem semanalmente de Bento Gonçalves (RS) a Bauru. “É uma cidade hospitaleira, bem sinalizada, com policiamento. Problemas de assalto eu nunca tive aqui. É uma cidadezinha pacata”, arrisca.