O dia nem tinha clareado quando a procissão de fiéis deixou a igreja matriz de Arealva (41 quilômetros ao Norte de Bauru) rumo ao cemitério da cidade, uma caminhada de cerca de um quilômetro, penitência da Quaresma e tempo para reflexão. Terço na mão, oração em voz alta e fé estampada no rosto de cada um dos católicos marcaram a saída na última quinta-feira.
Mulheres e homens maduros e poucos jovens participaram da procissão penitencial, às 5h30 da manhã. O ato foi encerrado com uma missa no cemitério da cidade.
O objetivo da caminhada matinal não é lazer nem esporte, avisa o padre Luiz Eduardo Monteiro Fontana. “A procissão não significa um passeio. É momento de meditar a sua vida interior. Tempo quaresmal é um tempo de sacrifício, jejum de várias maneiras, doação e generosidade. O Evangelho da Quarta-feira de Cinzas coloca para nós três atitudes próprias dentro da Quaresma, ditas por Jesus: oração, jejum e esmola.”
Toda a Quaresma é voltada para os três elementos. “Ou seja, é o nosso contato com Deus e a nossa modificação pessoal de várias maneiras, são nossas atitudes práticas, é repartir com alguém algo que se tem.”
Fontana deixa claro que isso não significa virar mendigo. “Não que a gente vá virar mendigo. Nós temos que resgatar essas pessoas e dividir com elas um pouco do que temos. De um lado, temos a abundância e de outro, a miséria. Entre eles, há um cemitério para onde ambos irão após a morte, por isso caminhamos da igreja para o cemitério.”
A caminhada, na opinião do padre, serve para refletir sobre a realidade da vida. “Aqui no cemitério não existem desigualdades. A Quarta-feira de Cinzas começa com cinzas que é o que viramos aqui. Viramos pó, então para que tanto orgulho, tanta vaidade, tanta busca de poder, do ter isso e mais aquilo, se tudo vai acabar aqui?”, questiona.
“Deus ajuda quem cedo madruga.” Com essa frase de efeito, o padre iniciou o comentário do sermão, feito em um altar improvisado no cemitério. Ele pediu aos católicos que tenham esperança de conseguir aquilo que almejam. “Deus ajuda desde que você peça, procure e tenha confiança na conquista.”
Ele pediu para que os fiéis transformem suas vidas. “Que hoje seja um dia de reflexão. Que cada um reflita sobre suas próprias atitudes.”
Pedido
Eunice Logerossi, 54 anos, tem uma maneira especial de encarar o período. Ela se propõe a fazer uma oração diária acompanhada de uma ação prática. “Durante a Quaresma, eu tenho uma atividade diária. Me proponho, por exemplo, a me reconciliar com alguém em um dia, a visitar um doente, um asilo ou uma creche em outro.”
O bancário Pedro Paulo Dias acredita que o período é de buscar o eu. “A Quaresma é o período de conversão interior.”
Já para José Paulo Dias, 55 anos, é tempo de renovação, tempo de fortalecer a fé para enfrentar um novo ano. “Eu deixo de comer carne vermelha nas quartas e sextas-feiras da Quaresma.”