Tribuna do Leitor

Mulher, parabéns por quê?


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Mulher só é lembrada e elogiada, hipocritamente, no dia das mães. Nesse dia é declarada rainha do lar (sem direito a voto ou poder), tem reconhecida sua dedicação (de escrava), é beijada, recebe carinhos e afagos (xingamentos e gritos nos outros 364 dias). E mandam flores nesse dia glorioso (e muitos espinhos o resto do ano). Acorda, Mulher! Quem reproduz o machismo? Quem ensina seu filho a desprezar as mulheres e sua filha a ser submissa? Não é a própria mulher? Isso não é trabalho de homem! Homem não chora! Isso é hora de moça chegar em casa? Você ensina (ou permite) sua filha a ser sensual, bonita, mas não estimula a formação escolar? Afinal estudo é para homens, que são os inteligentes! Acha graça da exploração sexual (o que é isso?), dos rebolados, da mulher-objeto, e como os meios de comunicação exploram a imagem sexual da mulher, qual sua posição? Até quando vai aceitar que a mulher seja coadjuvante? Você tem um poder (de educação) em suas mãos, use-o sabiamente.

Mulher que ignora consciência, poder e dominação. Que desconhece a luta da mulher, a origem do 8 de março. Não sabe que em Nova York, Estados Unidos da América, em 1857, as mulheres de uma fabrica de tecidos levantaram-se corajosamente contra o poder econômico-político e fizeram uma greve pela redução da jornada de trabalho. Naquele tempo, trabalhava-se 14 horas por dia, sim é isso mesmo que você que está sempre cansado de trabalhar leu. E queriam reduzir para “apenas” 10 horas. E qual a reação dos opulentos donos do poder? Incendiaram a fábrica, 129 operárias morreram. Era 8 de março. A partir de 1975, essa data foi fixada como o Dia Internacional da Mulher, e marcada como data principal de organização e luta. E será que não falta sua participação?

No Brasil, tivemos as nossas heroínas. Até 1932 as mulheres não tinham direito a voto, apesar de ter direito a ser elegível e Alzira Soriano de Souza foi eleita prefeita em Lages, Rio Grande do Norte, em 1928 (coisas de Brasil). O direito ao voto só foi conquisatado em 3 de novembro de 1934. Mas, nas terras tupiniquins a luta dos direitos femininos iniciou-se muito antes, em 1850, pelo direito à instrução escolar e pelo voto. E, hoje, as mulheres são a maioria da população, mas não votam em mulheres. Poucas mulheres ocupam cargos eletivos e graças, principalmente, ao voto masculino. Aliás, em quem você votou?

Enquanto as mulheres enfrentam a hegemonia masculina nos cargos eletivos (mais de 80% são homens), a discussão já chegou aos cargos do Supremo Tribunal Federal, finalmente uma. E não é justo que mulheres exerçam cargos na Justiça? E a justiça social? Por que cargas d’água a remuneração de mulheres que ocupam mesmo cargo que homens é até menos da metade que eles recebem? Na Igreja, a presença da mulher dá vida a muitas comunidades. Sua participação na catequese, na liturgia e nas associações é uma contribuição valiosa para o crescimento do Reino de Deus. No entanto, a mulher ainda é desprezada e nem sempre tem o seu trabalho reconhecido. Querendo ou não, todos nós somos sócios dessa sociedade e desejamos que ela nos dê lucros e alegrias. Então devemos participar ativamente da instauração da justiça, da eqüidade de direitos e deveres, da educação e do desenvolvimento social e tecnológico. O custo da omissão é muito maior que o da participação. Homem e mulher, diferença que iguala. (Mário Eugênio Saturno, é Tecnologista Sênior da Divisão de Sistemas Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva)

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