Exemplos de mulheres de força, coragem e amor não faltam. Desde os séculos passados até os dias atuais as mulheres travam batalhas constantes para garantir a igualdade entre os sexos. A concepção feminina não admite a luta por superioridade, mas sim pela igualdade. Igualdade nas relações afetivas, igualdade no trabalho, igualdade na vida. Foi o desejo de igualdade que levou as mulheres às ruas para pedir o direito de voto, a justiça social no trabalho, o direito de ser mulher e mãe, e expressar livremente suas idéias e sua fé. Essa não é apenas uma luta das mulheres ocidentais. Há 150 anos, na antiga Pérsia, atual Irã, em um país onde a mulher cobria seu rosto com véu, não podia sentar-se à mesa com um homem, que Tahereh, que significa “A Pura”, levantou sua voz e foi às ruas proclamar ao povo as idéias de Bahá’ú’lláh, profeta fundador da Fé Bahá’í. Retirando o véu, mostrou a todos o seu rosto e abertamente defendeu suas idéias, discutindo com doutores da época. Nada a intimidava e afirmava a todos que “a retirada do véu foi em obediência a um dos princípios de sua fé: a defesa da igualdade de direitos entre homens e mulheres.”
Um dia conseguiremos entender que o reconhecimento do papel da mulher e sua emancipação são vitais para o estabelecimento da paz. A negação desta igualdade perpetra uma injustiça contra metade da população do mundo e promove entre os homens atitudes e hábitos nocivos que são transportados do ambiente familiar para o local de trabalho, para a vida política, e, em última análise, para a esfera das relações internacionais. Não existem quaisquer fundamentos morais, práticos ou biológicos que justifiquem essa privação. Só quando as mulheres forem bem recebidas em todos os campos da atividade humana, em um pé de igualdade, é que se criará o clima moral e psicológico de que poderá emergir a paz internacional. A promessa da paz mundial, que se reteve aos sonhos de poetas e visionários, abandona, agora, suas mentes e invade a humanidade como uma onda que se ergue por sobre a maré, espalhando uma nova esperança, estabelecendo uma revisão dos antigos valores sedimentados no preconceito e na intolerância – reconhecendo, na igualdade entre os seres humanos, a premissa básica para o estabelecimento da paz e harmonia entre os homens. Não basta no Dia Internacional da Mulher apenas fazermos discursos; é preciso ação. Homens e mulheres devem caminhar juntos, eliminando qualquer noção de superioridade ou dominação, promovendo a valorização da raça humana como um todo, sem violência ou discriminação. Afirmam as Escrituras Bahá’ís: “O mundo da humanidade tem duas asas: o homem e a mulher. Enquanto estas duas asas não estiverem iguais em força, o pássaro não poderá voar. Até que a mulher não alcance o mesmo grau de desenvolvimento que o homem..., os extraordinários alcances da humanidade não poderão ser obtidos...” (Iradj Roberto Eghrari - Diretor de Relações Institucionais da Comunidade Bahá’í do Brasil)