Tribuna do Leitor

Dia Internacional da Mulher


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No dia 8 de março de 1857, em Nova Iorque, 129 operárias americanas de uma fábrica de tecidos, heroicamente morreram carbonizadas em razão de um ataque criminoso da polícia americana. Essas mulheres estavam em greve, reivindicando que a jornada de trabalho de 15 horas, vigente na época, fosse reduzida para 10 horas. Estamos diante de verdadeiras mártires do trabalho e da justiça social. Tão doloroso acontecimento motivou a escolha de 8 de março como o “Dia Internacional da Mulher”. O “Dia Internacional da Mulher” se constitui, antes de tudo, na mais veemente afirmação de que homens e mulheres são fundamentalmente iguais como sujeitos de direitos e deveres. Os ensinamentos bíblicos enaltecem sobremaneira essa dignidade. Deus criou o homem e mulher à sua imagem e semelhança. (Cf. Gn 1, 26ss; 2, 7-25) Homem e mulher são a obra prima da criação, “criados um pouco menores do que um deus, coroados de glória e de honra”. (Sl 8, 5-7) A dignificação máxima da mulher certamente se deu no mistério inefável do Filho de Deus que quis ter uma mãe, nascendo de uma mulher, nascendo de Maria. (Gl 4, 4)

Na sua pregação igualitária e universal, Cristo lança os pressupostos da promoção da dignidade da mulher na sociedade. Em conflito com costumes e tradições judaicas que marginalizavam as mulheres, com simplicidade Cristo se relacionava com as mulheres em atitude de acolhida e diálogo, tantas vezes deixando perplexos seus contemporâneos. É o caso da mulher adúltera que devia ser condenada e morrer apedrejada e é salva por Jesus. É o episódio da mulher samaritana que tivera cinco maridos e morava com alguém que não era seu marido e que se deixa tocar pelas palavras de Jesus, converte-se e anuncia o Messias aos habitantes de sua cidade. Sem citar outros episódios do evangelho em que Jesus se contata com mulheres, é motivo de honra para as mulheres o fato de ter sido uma mulher, Maria Madalena, a primeira testemunha e anunciadora da ressurreição do Cristo.

O “Dia Internacional da Mulher” levanta-se como forte clamor pelo respeito à dignidade da mulher em tantos modos violada e vilipendiada na sociedade moderna. O “Dia Internacional da Mulher” aí está para denunciar o fato tão comum de mulheres sobrecarregadas pelas tarefas domésticas e ainda obrigadas a trabalhar para o sustento de seus filhos, como também a situação de tantas mulheres que devem assumir o papel de mãe e de pai em razão de sérias crises conjugais. O “Dia Internacional da Mulher” aí está, bradando sobretudo contra a violência de que é vítima a mulher num mundo que se diz civilizado.

Segundo a Anistia Internacional, pelo menos uma em cada três mulheres no mundo sofre algum tipo de violência durante sua vida. Essa organização lançou sexta-feira passada (05.03.2004) uma campanha global de erradicação da violência contra a mulher. Seu objetivo é defender os direitos humanos de milhares de mulheres que, diariamente, são espancadas, mutiladas, estupradas e assassinadas. “Isso não é algo que acontece com outras pessoas. Acontece com você, com suas amigas e com sua família”, adverte Irene Khan, Secretária-Geral da Anistia Internacional. A campanha intitulada “Está em suas mãos: Pare a violência contra as mulheres”, chama atenção para a responsabilidade do Estado, da sociedade civil e dos indivíduos diante do problema. Que o “Dia Internacional da Mulher” torne-se um despertar efetivo de todos sobre a dignidade absoluta da mulher. E, finalmente, que esse dia venha sobretudo lembrar-nos a figura sublime de nossas mães! O mistério da maternidade nos interpela e à sua luz saberemos melhor entender e respeitar a mulher. (Frei Lourenço Maria Papin)

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