Geral

Chefe do CCZ ressalta a posse responsável

Rose Araújo
| Tempo de leitura: 2 min

Brigas entre órgão público e organizações não-governamentais (ONGs), epidemia de leishmaniose, falta de estrutura para o tratamento e recolhimento dos bichos errantes, uso inadequado de animais de tração. Diante desse cenário nebuloso, a questão dos maus-tratos aos animais é considerada de ordem secundária pela Prefeitura de Bauru.

A informação é do chefe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) - órgão ligado ao Departamento de Saúde Coletiva -, José Rodrigues Gonçalves Neto, que destaca que não é comum fazer autuações por esse motivo na cidade.

Ele diz que ninguém é obrigado a ter um animal de estimação e quem opta por ter um, deve levar em conta que possui obrigações com relação ao bicho. “As pessoas têm de entender que não existe SUS (Sistema Único de Saúde) para animais. Portanto, são elas que devem se responsabilizar pelo tratamento do bicho”, destaca.

Ele alerta que a única vacina fornecida pelo governo para o tratamento dos animais é a anti-rábica. “Mas isso ocorre porque a doença é uma questão de saúde pública, ou seja, pode acometer o homem”, diz.

Já a presidente da União Internacional de Proteção aos Animais (Uipa), Ângela Heiffig da Silva, acusa o poder público de nunca ter se preocupado com a questão dos animais na cidade. “O tratamento dispensado às espécies sempre foi uma lástima”, destaca.

Ela conta que a entidade que preside sempre tentou emplacar projetos e desenvolver parcerias para melhorar a qualidade de vida dos bichos, mas não obteve sucesso até hoje. “Falta vontade política”, salienta.

Para ela, a maior prova disso é a epidemia de leishmaniose que está acometendo o município. Até agora, foram registrados 14 casos da doença, além da morte de José Carlos Weckwerth, morador do Jardim América, no dia 7 de novembro do ano passado, em função da doença.

Apesar de dizer que a grande vilã dos problemas dos animais é a população, que muitas vezes abandona e maltrata os bichos, Ângela destaca que existem pessoas dispostas a ajudar a melhorar esse quadro.

É o caso da jornalista Eliane Calixto. Proprietária de três cães sem raça definida (os chamados vira-latas), ela ainda arruma tempo para colaborar com a Uipa e dar assistência aos animais abandonados nas vias públicas. “Costumo andar com um saco de ração no carro e, quando vejo um animal abandonado, paro e o alimento”, conta.

Ela acha que falta maior envolvimento do governo e dos empresários na questão animal. “Se todos tivessem consciência com relação aos animais, não teríamos tantos bichos abandonados nas ruas.”

Comentários

Comentários