Depois de desenvolver um trabalho de fôlego na luta pela melhoria da qualidade de vida dos portadores do vírus HIV em Bauru, a médica infectologista Denise Arakaki chegou ao Ministério da Saúde e hoje compõe a equipe do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)/aids.
Em Brasília, ela ocupa há dois anos a pasta de assessora-técnica da área de diagnóstico, assistência e tratamento da doença. O papel da equipe integrada pela médica é estabelecer recomendações de ações que possam ser adotadas em nível nacional na área de assistência ao paciente.
“Nós definimos as políticas e as diretrizes que devem ser adotadas dentro do âmbito da assistência ao HIV-aids, como por exemplo garantir o acesso gratuito aos anti-retrovirais e definir quais os remédios que vão ser incorporados no esquema brasileiro”, explica. “Uma vez definidas as ações, a gente tenta implantá-las nos Estados.”
Segundo a infectologista, hoje o programa de DST /aids do Brasil é reconhecido mundialmente. O país tem, inclusive, uma parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS) para alavancar o acesso ao tratamento nos países pobres. “A gente fornece suporte técnico para países africanos, alguns da América Latina e Caribe”, diz.
Segundo Denise, o Brasil já avançou significativamente na qualidade da assistência ao portador de HIV e hoje têm adotado os remédios mais modernos para tratamento da doença.
Entretanto, ainda existem muitos desafios. Entre eles, reforçar a capacitação dos médicos, melhorar o acolhimento desses pacientes na rede pública e assegurar medicamentos e exames para todos os portadores do vírus. “Nós conseguimos acertar remédios, fazer diagnósticos, a rede laboratorial hoje é boa e consistente. Tivemos uma ação maciça nesses primeiros anos e agora a gente está fazendo a lapidação do produto, investindo na qualidade desse serviço”, diz.
Trajetória
Em Bauru, Denise começou sua trajetória no início da década de 90. Formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, a médica infectologista, que é natural de São Paulo, acumulou duas funções na área de saúde pública. Uma delas foi na Direção Regional de Saúde (DIR-10), no setor de vigilância epidemiológica, como médica dos programas de DST/aids.
Na rede municipal, Denise coordenou as equipes que trabalhavam com o serviço de assistência especializada aos portadores de HIV. Seu papel principal foi ampliar a abrangência desse trabalho, fortalecendo a atuação de uma equipe multidisciplinar, visando melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Nessa época, profissionais de várias especialidades foram incorporados ao serviço, que também começou a enfocar a necessidade de atendimento domiciliar aos portadores da doença.
“O que a gente fez na verdade foi melhorar a qualidade da assistência em Bauru. A gente ofertou um leque maior de possibilidade de tratamento ao doente, agregando dentista, psicólogo, ginecologista e outros profissionais”, conta. Denise afirma que o resultado positivo do trabalho foi possível graças a um contexto histórico e político favorável. “(Isso ocorreu) numa época em que a aids tinha despertado uma sensibilidade política muito grande”, diz. “E por causa dessa sensibilidade pôde-se avançar na formação das equipes que trabalhavam com HIV-aids.”
Atuando na regional de saúde e no município, a médica infectologista conta que acumulou uma experiência significativa. “Na regional eu enfrentava mais os problemas de ordem organizacional e no sistema municipal eu atendia doentes e ouvia qual era a queixa dos pacientes. Isso foi um casamento muito feliz”, diz.
Segundo ela, esse histórico de dez anos de atuação na área em Bauru foi determinante para sua entrada no Ministério da Saúde. Quando surgiu a vaga em Brasília, Denise se candidatou ao cargo e foi aprovada para compor a equipe nacional. “Bauru foi, sem dúvida, uma grande escola para mim”, finaliza.