Bairros

Erosão avança há mais de um ano

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Uma enorme erosão que chegou a interromper uma linha de trem da Novoeste que passa pelo Jardim da Grama, sentido Curuçá, na altura da quadra 3 da avenida Manoel Monteiro, está há mais de um ano sem receber os devidos cuidados da prefeitura, e por isso não pára de avançar. O problema está, inclusive, atrapalhando o projeto Ferrovia para Todos, da Secretaria Municipal de Cultura.

O secretário de Obras, Jorge Roberto Monteiro, diz que no momento não é possível fazer uma previsão sobre quando as obras de recuperação no local irão começar. Segundo ele, a prefeitura firmou uma parceria com a Novoeste, que doará dois tubos (de 2,60m de diâmetro) de vagões de carga da empresa, material que será utilizado para compor as obras de galerias de águas pluviais, que serão aterradas. Mas o desfecho do problema também depende de liberação de verba. “Não sei como está o caixa da prefeitura”, diz Monteiro.

No momento existe apenas uma ligação de água improvisada há cerca de dez meses pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE), que por sinal, ontem estava vazando. Segundo a assessoria de imprensa da autarquia, enquanto a erosão não for contida com as devidas obras, o DAE fica impedido de fazer a tubulação de água no local, já que esta deve ficar embaixo da terra. A assessoria pede aos moradores para que avisem quando houver vazamentos.

Enquanto isso, o imenso buraco continua acumulando lixo que vem com as enxurradas, ameaçando construções e, quem passa pelo local de carro, tem que desviar para chegar ao “outro lado” do bairro.

Francisco Cordeiro, 49 anos, morador do Jardim da Grama, diz que já “cansou” de ver funcionários da prefeitura, da Novoeste e até do DAE irem ao local e a situação não mudar.

“O buraco aumentou tanto que já engoliu o poste de entrada de energia daquele barracão de reciclagem (diz o morador apontando o imóvel, bem próximo à erosão). A coisa está feia, porque a enxurrada leva lixo para o buraco e toda vez que chove desmorona um pedaço do barranco. Quando o DAE fez essa ligação provisória de água, falaram que era por 30 dias.”

Benedita da Silva Santos, 57 anos e há 13 morando no bairro, também reclama. “O trem de carga passa ali todos os dias. Dá até medo de ver ele passar, porque parece que vai cair tudo”, diz.

A assessoria de imprensa da Novoeste confirma a parceria firmada com o município para a doação dos tubos, mas diz que a empresa estaria esperando o aceno da prefeitura sobre o início das obras. Já o secretário Jorge Monteiro diz que está esperando a empresa liberar a doação.

“É claro que também dependemos do dinheiro, porque essa obra será feita com recursos próprios. Mas enquanto a Novoeste não nos enviar os tubos... Estamos esperando. Essa erosão é realmente antiga. Em janeiro do ano passado foi feita uma reunião para tratar do assunto. Mas ao longo desse tempo, os recursos tiveram que ser empreendidos em casos mais urgentes. Agora, acredito que a solução do problema está próxima”, avalia o secretário de Obras.

Em relação ao projeto Ferrovia para Todos, o engenheiro Adelmo Bertussi, da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), informa que já foi enviado a Sérgio Losnak um projeto elaborado para a recuperação da linha férrea que seria utilizada para o transporte de passageiros.

“Naquele local existem duas linhas, a principal e a auxiliar. A Novoeste usa a principal para o transporte de cargas, e nós usaríamos a auxiliar. Mas desde que a erosão danificou a principal, a Novoeste desviou seu fluxo para a auxiliar. Passada a erosão, os trens voltam a utilizar a linha principal. O problema é que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) não aprova esse desvio para o transporte de passageiros”, detalha Losnak.

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