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Centrinho prioriza auto-estima de mães

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

Uma iniciativa do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo, o Centrinho, pretende elevar a auto-estima das mães que passam meses seguidos praticamente confinadas na instituição acompanhando o tratamento dos filhos. A idéia é proporcionar a elas um dia diferente, com direito a salão de beleza, jantar e presentes.

A primeira contemplada foi a dona-de-casa Cláudia Rocha, que mora em Registro e está há três meses em Bauru, distante da família. A sua rotina se resume a ficar ao lado do filho Luís Felipe, de 1 ano, que sofre de Síndrome de Richieri com Seqüência de Rodin, distúrbio genético raro que provoca, entre outros problemas, sérias dificuldades de alimentação.

Ontem, porém, Rocha ficou a maior parte do dia longe do Centrinho. Durante a tarde, ela passou por um tratamento estético completo em um salão de beleza, recebeu roupas e uma semi-jóia e, à noite, pôde jantar com uma amiga em uma churrascaria. “Eu nem acreditei quando soube que iria ganhar tudo isso”, relata.

Para ela, que foi escolhida em razão da gravidade da doença do filho, esse tipo de iniciativa é importante para evitar que as mães entrem em depressão. “Nós passamos por situações muito estressantes. É muito tempo internada no mesmo lugar. Procuramos nos distrair, mas é difícil”, comenta.

Separada do marido, Rocha conta que não costuma receber visita dos parentes em Bauru. A primeira vez que ela esteve no Centrinho foi há um ano, logo depois que o filho nasceu. Desde então, tem vindo ao hospital freqüentemente e, há três meses, não volta para Registro. A dona-de-casa também não sabe quanto tempo ainda terá que permanecer na cidade.

Projeto

A nutricionista Suely Peres, do Centrinho, calcula que cerca de dez mães estão na mesma situação que Rocha e o objetivo é transformar a iniciativa de proporcionar a elas um dia diferente em um projeto que possa atender a todas.

Peres conta que teve a idéia de oferecer esse benefício às mães do hospital ao perceber que elas estavam enfrentando problemas emocionais. “Verifiquei isso na unidade de apoio, onde elas ficam praticamente internadas com os bebês para aprender a cuidar deles”, explica.

Em seguida, ela procurou parceiros que pudessem atendê-las sem cobrar pelo serviço. “Fui ligando para os meus amigos, fazendo contatos, e conseguimos alcançar o nosso objetivo”, diz.

A nutricionista afirma que ainda não há definido quando a próxima mãe será contemplada, mas acredita que isso possa ser feito em breve. “Já falei com várias outras pessoas que se ofereceram para nos ajudar”, relata.

Ela explica o que a levou a imaginar atividades como salão de beleza, jantar e presentes. “A mulher adora comprar e ir ao cabeleireiro. Além disso, nós, seres humanos, temos que nos isolar da dor de alguma forma e com essas mães não é diferente”, argumenta.

Alexandrina Rosa, que veio de Belo Horizonte para Bauru há um mês acompanhar um sobrinho de 7 meses que foi internado no Centrinho, afirma que aguarda com ansiedade a possibilidade de se afastar temporariamente da rotina do hospital. “Quem sabe um dia eu também não seja contemplada”, diz.

Ontem ela pôde, ao menos, receber parte dos benefícios. Ela foi escolhida por Rocha para ser a sua acompanhante no jantar e também esteve com a amiga no salão de beleza.

• Serviço

Os empresários interessados em participar da iniciativa do Centrinho devem entrar em contato com a nutricionista Suely Peres pelo telefone (14) 3235-8177.

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