Com certeza, nenhuma urbe tem condições de ser considerada “cidade saudável”, porque, inegavelmente, não é saudável aquela que só possua uma população ou parte dela bafejada somente pela imensa ventura da saúde física e mental, mesmo tendo a seu serviço bem aparelhados hospitais, médicos e demais pessoal dedicado a tal tarefa. Com efeito, não só isso a vida, exige para ter em seu torno uma tal cidade, porquanto o objetivo “saudável” vai bem mais longe, tendo à sua vanguarda uma quantidade de significados, como sejam: salutar, higiênico, útil, benéfico e saneador, conforme o revelam conhecidos dicionários, de aplaudidos autores, face aos quais não se circunscreve o termo aos índices de saúde com que os horizontes citadinos acenam à sua gente. Que qualidade de vida precisa oferecer determinada área para que mereça o cobiçado prêmio do elogio de salutar?
Exigem-se águas potáveis tratadas, esgotos bem dirigidos, enxurradas bem endereçadas, ruas permanentemente limpas, edifícios e casas com os melhores cuidados, infraestruturas (luz elétrica e telefone) modernizadas, ônibus conservados e limpos, automóveis e fábricas destituídos de elementos poluentes e vários outros. São fatores que têm muito a ver com o bem-estar da sociedade, oferecendo-lhe exatamente tudo quanto seja imprescindível para que o local em que resida seja mesmo aquilo que lhe faz bem, destituído dos malefícios que possam tornar problematicamente sofredoras não só as localidades como as próprias comunidades, que não se sentem realizadas apenas vendo diariamente o amanhecer com núvens azuis e sol brilhante. Precisam e exigem muito mais da generosidade da natureza e dos poderes públicos, responsáveis pelas belezas da terra.
Não se considerando tais fatores, como construir-se uma urbe plenamente saudável, inteiramente bondosa, feliz em todos os sentidos? Difícil, muito difícil, impossível até, competindo às administrações públicas, ao empresariado em geral e igualmente a cada munícipe procurar aprender a fazer bem vendo como o fazem os outros. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
“Louvar-te-emos, Senhor, com todo o nosso coração e cantaremos alegremente todas as tuas maravilhas. Salmo 9.1.