Quando o senhor Antônio Ribeiro Corrêa escreveu a carta com o título acima, talvez não estivesse em um dia inspirado, talvez fosse melhor ouvir umas valsas vienenses ou uns tangos argentinos. A culpa dos menores barulhentos principalmente “filhinhos de papai” não é da gloriosa Polícia Militar, mas principalmente desse arcaico código penal que favorece menores que mais “aprontam” durante a noite. Ou muda o código de menores para 14 anos, ou nosso Brasil vai virar uma autêntica Sodoma e Gomorra, porque eu tenho condições de explicar isso porque trabalhei em São Paulo, na Praça da República, Praça da Sé, Largo do Arouche, Praça da Liberdade, etc. Eu arrumei uma pensão na rua Anhaia, 427, fundos, no bairro do Bom Retiro, e o primeiro serviço foi orientar o trânsito na avenida Rio Branco com a Ipiranga. A Capital parecia uma praça de guerra, todos os quartéis do exército e da força pública tinham latões com fogo durante a noite, e a ordem dos oficiais era atirar nos veículos que não respeitassem. Eu pertencia com muito orgulho ao 1.º Batalhão Tobias de Aguiar, e fazia o trajeto da pensão ao quartel em trajes civis, por ordem dos oficiais, porque era perigoso andar fardado, porque eles pretendiam seqüestrar um policial para desmoralizar o governo. Chegamos a viajar para Registro, porque o nosso serviço de informações disse que lá estavam Carlos Lamarca, ex-capitão do Exército, e Carlos Mariguela, político cassado, porque estavam organizando uma guerrilha. Consegui transferência para a Penitenciária Regional de Avaré, e lá continuei a escrever para a “Tribuna do Leitor” do Jornal da Cidade.
Leonildo Padovini - RG 3.991.997