“Pescarias em tanques de pesque e pague, açudes, lagoas ou rios, apoitados ou de rodada, mas sempre com a preocupação de não ofender a ecologia, devem ser a tônica dos que buscam usufruir de algumas horas de descontração e lazer pura e simplesmente. Porém, a ganância dos hominídeos em relação à fauna marítima por vezes não tem controle e atinge o caos.
Por que ao fisgar um belo exemplar não deveríamos admirá-lo e em seguida devolvê-lo ao seu natural habitat? Mesmo aqueles de elementar cultura sentem o drama a que estão expostos os habitantes de nossos rios, todavia, a pesca predatória ainda é praticada.
Todo excesso é prejudicial por isso devemos levar apenas pequena parcela de uma feita.
Pescando no rio Turvo, em Fronteira, ao desenvolvimento de uma rodada, na linha ficou embaraçada uma outra linhada com mais de trinta metros de comprimento. Puxando com cuidado a nova linha, em sua extremidade, presa no anzol, havia uma tilápia.
O peixe foi lançado de volta à água porque se imaginou que se ele ali estivesse preso há alguns dias e sobrevivido, seria justo dar-lhe a liberdade. Podem acreditar, em cada pescaria em que me meto, somente dessa vez consegui terminar sem ter que me desvencilhar de toda sorte de tranqueiras fisgadas, tais como pedaços de linhas, com anzóis, folhas secas, ramos de árvores e o diabo a quatro. Pô!”
O artista plástico Walther Mortari é pescador e contador de histórias.