O prefeito Nilson Costa (PTB) oficializou ontem ao Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru (Sinserm) um reajuste salarial de 8%. A proposta passa longe da reivindicação da categoria, de 78,17%. Ainda ontem, em assembléia realizada no início da noite, cerca de 150 servidores rejeitaram a oferta da administração. A entidade sindical já prepara a realização de manifestações e atos de repúdio contra o governo municipal.
O reajuste do valor do vale-compra também ficou aquém do reivindicado pelos servidores. Eles solicitam um benefício de R$ 200,00 contra os atuais R$ 120,00. Mas a prefeitura propõe um aumento de apenas R$ 10,00. O atual piso salarial da categoria é de R$ 280,50. Aplicados os 8%, o menor salário da prefeitura passará para R$ 302,94.
Segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa da prefeitura, os números foram anunciados após avaliação do impacto nas despesas do município.
A medida contempla todos os servidores da ativa, aposentados, pensionistas e estagiários a partir de 1 de março. O prefeito fez o anúncio acompanhado do secretário municipal de Finanças, Raul Gomes Duarte Neto, e do chefe de Gabinete, Antonio Sérgio Marsola.
A nota ainda informa que somente com a folha de pagamento e os vales a administração emprega cerca de R$ 6,3 milhões mensais, sem o impacto dos índices anunciados ontem.
“O ideal seria se pudéssemos conceder índices maiores, mas temos que considerar a realidade do orçamento municipal e agir com responsabilidade. Não podemos aplicar reajustes aleatórios e comprometer a garantia desses direitos básicos dos funcionários municipais”, justifica Nilson.
"Deboche"
O comando do Sinserm demonstrou descontentamento com a proposta da administração municipal. “O que mais ouvimos hoje durante a assembléia com os servidores é que a proposta é um deboche”, disse a diretora sindical Idelma Alcântara.
Mais uma vez, ela esclareceu que o índice de 78,17% reivindicado é referente as perdas salariais apenas da gestão Nilson Costa (1999-2004). “Ele (Nilson) é o principal responsável por esse achatamento salarial da qual a categoria está sendo vítima”, reforça.
A sindicalista informa que a categoria aprovou na assembléia de ontem um calendário de atividades para repudiar a proposta do governo municipal, que prevê a elaboração de uma carta aberta à população explicando a situação crítica na qual se encontra o funcionalismo público.
“Já estamos preparando também atos públicos para demonstrarmos nosso descontentamento”, avisa. Idelma criticou a desculpa apresentada pela administração para justificar o baixo percentual de reajuste.
“Na reunião de hoje (ontem) eles não apresentaram nenhum demonstrativo para justificar a proposta de 8%. Esperamos que na reunião de segunda-feira nos seja apresentado algo convincente”, afirma.