Regional

Alunos ficam sem ônibus em Iacanga

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Iacanga - Revoltado com a criação de uma Comissão Processante (CP), o prefeito Durvalino Afonso Ribeiro (PFL), de Iacanga (50 quilômetros a Norte de Bauru), decidiu suspender o transporte dos alunos que estudam em Bauru.

Segundo Durvalino, os ônibus só voltarão a circular quando a Câmara cancelar os trabalhos de investigação. Mas o vereador Carlos Francisco Abdala (PP), presidente da CP, já adiantou que a comissão não irá interromper os trabalhos por causa da pressão do prefeito.

Enquanto isso, cerca de 100 alunos estão sem transporte desde anteontem. Eles tiveram de recorrer a carros particulares e alugar ônibus por conta própria para poder estudar.

Ontem, eles protocolaram um mandado de segurança no Fórum da Comarca de Ibitinga pedindo o restabelecimento do transporte por via judicial. Até o fechamento da edição, o juiz ainda não havia se pronunciado sobre o pedido dos alunos.

Eles argumentam que na Lei Orgânica do Município (LOM), no artigo 161, consta que o transporte dos estudantes tem de ser oferecido gratuitamente pela prefeitura quando não houver o curso na cidade.

Entre os estudantes prejudicados pela decisão do prefeito estão alunos de faculdades, cursos técnicos e cursinhos preparatórios para vestibulares.

Apesar da LOM falar em transporte gratuito, o universitário Murilo Antônio Pinto, 27 anos, que cursa o 3º ano de administração de empresas, nas Faculdades Integradas de Bauru (FIB), declarou que cada aluno paga uma “taxa simbólica” de R$ 2,00 por dia para poder viajar nos ônibus cedidos pela prefeitura.

Segundo ele, o anúncio de que os ônibus não viajariam mais para Bauru teria sido feito minutos antes do embarque, marcado para às 17h50.

Um folheto assinado pelo prefeito foi entregue aos alunos. Nele, Durvalino critica a decisão da Câmara de criar a CP e informa que o transporte está suspenso “até que a situação seja resolvida”.

“O que nós (alunos) temos a ver com as decisões da Câmara?”, indagou o estudante. “Esse é um problema dele (prefeito) com os vereadores, não com os estudantes”, disse.

“Não queremos ficar contra nenhum dos dois (prefeito ou Câmara). Não temos nada com a briga deles”, declarou.

"Fui obrigado"

Apesar da revolta dos estudantes, o prefeito não demonstra disposição em rever sua decisão. “Torci muito para que não fosse preciso fazer isso. Pois sei que a atitude não é boa para a imagem do prefeito. Mas fui obrigado a tomá-la”, afirmou.

“Eu estou sendo investigado por estar ajudando os alunos. Então, nada é mais justo do que eu parar (com o transporte)”, justificou.

A Câmara aprovou a CP para apurar suspeitas de superfaturamento na compra dos dois ônibus que são usados pelos alunos.

A denúncia foi apresentada pelo pecuarista Pedro Daniel Nacimbem e tomou como base um relatório do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE), que levantou dúvidas quanto aos valores cotados.

Cada ônibus custou R$ 38,5 mil à prefeitura, em dezembro de 2000. Segundo o denunciante, seis meses mais tarde, os mesmos veículos teriam sido avaliados pela prefeitura em R$ 26,5 cada um.

O presidente da CP, vereador Carlos Francisco Abdala, disse ontem que os trabalhos de investigação não serão suspensos. Na opinião dele, o prefeito não pode condicionar o transporte dos alunos à decisão da Câmara.

“Ele que apresente a defesa e prove sua inocência. O fato dele estar sendo investigado não significa que é culpado”, disse Abdala.

Na opinião do vereador, o prefeito estaria usando o caminho errado para barrar a CP. “Se ele (Durvalino) acha que a Câmara está errada, então peça uma liminar à Justiça para suspender as investigações”, sugeriu.

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