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Aprendizado literário


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Denuncia a incidência que a literatura brasileira está vivendo uma era particularmente favorável à presença da mulher em seus meandros, o que se testemunha lembrando que outrora cabiam a elas unicamente papéis de sedução e, agora, pontificam com os de eméritas escritoras, invertendo referido estágio. Diz-se, a propósito, que “quando era menina, a famosa Clarice Linspector pensava que os livros nasciam em árvores e ficou espantada, certo dia, quando descobriu que os tais volumes eram escritos”. E foi a partir de então que ela transformou o desejo em uma ação vigorosa, vendo as companheiras passando a ocupar lugar de realce no cenário literário do País, dele não estando dispostas a nada relegar. E aí está a paisagem, notando-se que o terreno deixou de ser algo fechado, circunscrito aos homens, porquanto as escritoras nela se firmaram com a maior garra, denunciando que o setor jamais possuiu, como agora, constelação tão expressiva de talentos femininos. Sem assustar a crítica e o público, confessa o belo sexo que ele acabou se igualando aos homens, assumindo partes tão altas ou mais que isso na literatura patrícia, do que nunca fez segredo outra famosa, Nélida Piñon, que foi presidente da Academia Brasileira de Letras e afirmava que, nas letras contemporâneas, “a mulher não é marginal porque já está inclusa no sistema, sendo marginal, porém, na acolhida numérica”.

Como muita coisa mudou no mundo, o namoro feminino quanto às letras e sua aplicação, que sofreram durante milênios severa retração, terminou superando as discriminações e os desgastes, restando-lhe agora, como sonham as beletristas, que a própria mulher enverede mais para a sua literatura, a feminina, substituindo temas e assuntos eminentemente vinculados ao feminismo e saltando corajosamente para os genéricos, que é onde certamente se sentirão melhor, além do que passarão a interessar mais, muitíssimo mais, ao sedento público masculino, partindo do princípio de que, no tocante ao sexo de Eva, o homem gosta de tudo e, naturalmente, do que pensam, do que fazem e do que gostariam de fazer. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

“Seca-se a erva e caem as flores, mas a palavra divina subsiste eternamente. Isaías, 40.8”.

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