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Tô (nem) aí


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Dentre tantas datas que passaram a fazer parte do calendário recente da cidade como significativas pelo que pudessem trazer de decisão e definição no campo político-administrativo, esta quarta feira, dia 17, é mais uma, com a conclusão pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo do julgamento da liminar que mantém o prefeito municipal no cargo, após a cassação pela Câmara de Vereadores, e a reconsideração dessa medida por parte da 5ª. Vara do Fórum de Bauru.

Quase na situação de um time que perde por 2 x 0 e ainda tem a expectativa de marcar um gol e ver anulado um gol do adversário, mesmo com o jogo já na prorrogação, mais do que essa delicada situação do mandato do prefeito municipal e as condições francamente favoráveis ao vice-prefeito para assumir o cargo, o que mais chama a atenção nesse episódio é o impressionante alheamento da cidade em torno do que está para acontecer.

A exemplo do que afirma a canção, de gosto altamente duvidoso, a população não “tá nem aí” com tudo isso ou com nada disso. Em todas as pesquisas efetuadas pelo Jornal da Cidade e pelas emissoras de rádio e TV, o resultado aponta um total descrédito e, mais do que isso, um enorme desalento com o que ainda seria lícito esperar dos nossos homens públicos (assim mesmo, com “h”e “p” minúsculos, bem minúsculos).

Quem haverá de criticar a cidade por isso? Em sã consciência, ninguém se atreveria a esse rigor, pois após todos os escândalos que envolveram a Câmara de Vereadores a partir do ano passado, seguidos das comissões, processante e de inquérito abertas contra o chefe do Executivo, a farta troca de acusações, o monte de denúncias que ainda continua sem explicação, muito menos punição, e o entra-e-sai de prefeitos, quem sobrou para a cidade confiar?

Não temos a menor idéia sobre como esse estado de (des)ânimo irá repercutir na eleição de outubro, mas seria muito importante que a cidade fizesse um enorme esforço para não se esquecer de nada. Daqui até lá ainda teremos pouco menos de sete meses, um tempo não muito grande, mas enorme quando se trata de lembrar. Afinal, se Deus nos privilegiou com a possibilidade de, tendo uma relativa boa memória, nos lembrarmos das coisas que acontecem, só sentimos saudades do que, de fato, gostaríamos que acontecesse de novo.

Como temos certeza que nascemos para sermos felizes, não estamos aqui para sugerir que façamos um esforço para ter saudade destes tempos desastrosos que a cidade tem vivido. Mas nos atrevemos a ponderar sobre o quanto seria importante para a cidade em que vivemos, onde temos nossos filhos vivendo e muitos têm até os seus netos, que ao menos guardássemos – nem que no espaço menos nobre da nossa memória – tudo isso que desgraçadamente tem nos acontecido nos últimos anos e, através de um instrumento chamado voto, cada um fizesse a sua parte para escrever com letras menos sombrias e mais alentadoras o destino que nos cabe construir para Bauru.

Se hoje a cidade não consegue praticar nem o amor nem o ódio, preferindo punir com o pior de todos os sentimentos, a indiferença, os seus homens públicos - tamanho o desgaste, o cansaço, a desilusão, a frustração geradora de toda essa desesperança por tudo de negativo e decepcionante que nos tem afligido nos últimos anos -, pela parte que a cada um de nós compete fazer para reverter radicalmente esse quadro, entendemos que só nos pode caber a prática de um esperançoso tô aí!!!

O autor, Flávio Antonio de Angelis, é jornalista e consultor de empresas com foco em treinamento motivacional.

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