Política

Vereador acusa propina; empresário nega

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O vereador João Parreira de Miranda (PSDB) divulgou na sessão da Câmara Municipal de Bauru, ontem à tarde, trechos de uma conversa gravada mantida com o empresário Antonio Roberto Palharim mencionando a existência de suposto esquema de cobrança de propina para o pagamento de fornecedores na prefeitura local. O prefeito Nilson Costa (PTB) e o empresário rebatem a denúncia.

O caso foi veiculado em plena sessão, com a divulgação de cerca de oito minutos de uma conversa mantida por telefone entre Parreira e Palharim. Na gravação, o empresário menciona que teria recebido créditos mediante o pagamento de cerca de 16,5% do valor pendente a seu favor. Palharim reconhece a existência do diálogo, mas diz que não sabia que ele havia sido gravado.

“Este fornecedor revela que teve seu crédito liberado após pagar a um intermediário 16,5% do valor a que tinha direito e mais cerca de 3%. Ele disse que pagou e, em seguida, recebeu o que tinha direito em duas etapas. A primeira parte saiu quando deu a caixinha”, conta Parreira, ao divulgar a fita k7.

Na conversa gravada, Palharim não revela valores, mas cita os percentuais. O diálogo ocorreu no início deste ano. O empresário fala que venceu uma licitação, em 2003, e prestou serviços de locação de máquinas à prefeitura. Ao longo do ano, recebeu por várias medições.

A liquidação do saldo com a prefeitura teria sido negociada com um intermediário conhecido por “Carioca”. Contudo, o vereador e o empresário não citam quem seria essa pessoa. Palharim fala, na gravação, que o intermediário fez a proposta. “Ele consultou os empresários das empresas que sub-locaram a contratação e disse, na fita, que eles concordaram com o pagamento. Ele foi pressionado a pagar para receber o que tinha direito no esquema”, aponta Parreira.

O parlamentar informa que a gravação será protocolada junto ao Ministério Público e fala da existência de outras conversas, com outros fornecedores. “Temos outras conversas confirmando a propina e vamos levar tudo ao promotor”, conclui.

Outra versão

Logo após a divulgação da gravação na sessão da Câmara, o proprietário da empresa Palharim & Cia Ltda esteve na prefeitura. De lá, negou a denúncia e se encaminhou para a Delegacia Seccional para registrar boletim de ocorrência.

Na polícia, Antonio Roberto Palharim declara que conversou com João Parreira a respeito da existência de créditos pendentes com a administração. Mas o empresário diz que o parlamentar é que teria se colocado à disposição para tentar ajudar no recebimento. “Tinha crédito com a prefeitura, mas já foi totalmente pago. O vereador nada me pediu, mas disse que iria tentar interceder”, alega.

Sobre os comentários dos percentuais do “pedágio” e o suposto intermerdiário com trânsito junto ao governo, Palharim disse na polícia que pode ter dito alguma “bravata”. “Posso ter feito algum comentário inconveniente, destes que possam dar margem a duvidar da integridade de alguém”, cita.

O empresário diz que teria usado esta estratégia para concluir a conversa com o vereador, à época.

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Trechos da gravação

João Parreira - “...Eu, na condição de vereador, estou correndo atrás disso, porque não é o primeiro caso que a gente tem informações”...

Roberto Palharim - “...Não sei quem que é a pessoa que pega. Isso é entregue para uma pessoa de fora, de bem de longe. Para você ter uma idéia, vem do Rio de Janeiro, nunca vi... Foi a pessoa com quem eu entreguei. Depois que eu entreguei, aí eu recebi...”

Parreira - “...Nesse nível o negócio?...”

Palharim - “...É. Eu não sei quem que é.... É pessoa de fora, fala um sotaque carioca... A pessoa veio. Paguei essa pessoa... Recebi onde ninguém recebe aí...”.

Parreira - ...“Mas como que indicaram isso pra você?...”

Palharim - “...Me bati de tudo quanto foi jeito para tentar receber. ...Foram conversando, conversando, chegou uma pessoa e disse: você quer receber isso aí? Eu quero não, eu preciso. Então, existe um custo pra isso. E tudo bem...”.

Parreira - “...E qual o custo?...”

Palharim - ...”O custo era 17,5%, não era bem 20 (%). Era 16,5%. 3,5 (%) já era um outro custo que tinha, sabe... Foi a base de 16,5%. Não foi praticamente os 20 (%)...”.

Parreira - “...Aí veio esse cara...”.,

Palharim - “...Aí veio uma pessoa de fora...Disse, nós vamos pagar uma parte e você vai pagar o integral. Porque eu não era nenhum idiota de pagar adiantado e não receber nada. Então eles pagaram uma parte. Eu peguei o dinheiro...

Parreira - “... Deu pra...”

Palharim - “...Essa pessoa me procurou. Eu pedi autorização pra todos os parceiros meus. Todos eles me autorizaram. Paguei essa pessoa. Aí o restante veio em alguns dias, conforme ela combinou, certinho... Existe uma máfia difícil aí... Para qualquer um que você perguntar, a prefeitura de Bauru sempre custou uma porcentagem de 30% para trabalhar...”.

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