O prefeito Nilson Costa (PTB) comentou ontem que não teve conhecimento de suposta relação entre intermediário e a existência de possível esquema de cobrança de propina em seu governo. O chefe do Executivo comentou que, logo após a divulgação da denúncia pelo vereador Parreira, o empresário Roberto Palharim desmentiu o fato.
“Na medida em que isso veio à tona, a pessoa contestou as afirmações. Disse que foi surpreendido por um telefonema, onde o vereador se apresenta como evangélico. E aí insinuou as coisas e o empresário disse que em nenhum momento fez acusação a quem quer que seja”, fala Nilson.
O prefeito vê a possibilidade de montagem da fita. “Deve ter feito uma montagem da fita. O empresário foi até a delegacia. Queremos que o empresário diga quem foi que intermediou e quem foi quem recebeu. Ele está negando”, acrescenta .
Para Nilson, será importante a revelação de quem seria o intermediário, cuja identidade é desconhecida até este momento. “Não vejo verosimilhança num negócio desse. Nós estamos mandando apurar. Se existiu alguma coisa, que se revele quem foi. Para nós isso é novidade”.
O chefe do Executivo ainda conta que discutiu o assunto com o titular da Secretaria Municipal de Finanças, Raul Gomes Duarte Neto. “O Raul não tem nenhum conhecimento disso”, cita.
No início da noite, Duarte informou que foram efetuados pagamentos referentes à dois contratos firmados entre a prefeitura e a Palharim & Cia Ltda para serviços de locação de máquinas. Um foi firmado pelo valor de R$ 75.600,00. O outro ficou em R$ 274.320,00.
O secretário demonstrou que as medições dos serviços foram realizadas pela Secretaria das Administrações Regionais (Sear). “Nós pagamos de acordo com as medições e a entrada das notas com atestado do serviço realizado. No final do ano, restou um saldo que também foi liquidado”, comenta.
O chefe de Gabinete da prefeitura, Antonio Sérgio Marsola, confirmou que a empresa em questão tinha R$ 49 mil a receber no final do ano, quando muitos fornecedores já não conseguiam receber seus créditos em dia. A Secretaria de Finanças efetuou um pagamento nesse valor no dia 19 de novembro. No mesmo dia, também consta a liberação de outros R$ 8,2 mil.
A dívida municipal com o fornecedor foi eliminada em dezembro passado, com quatro pagamentos, totalizando mais R$ 14 mil.
Inquérito aberto
O caso gerou a abertura de inquérito junto à Delegacia Seccional. A medida foi tomada pelo delegado J. J. Cardia, que responde pela Seccional. “O boletim foi registrado e o inquérito aberto com o empresário sendo ouvido para apresentar suas alegações iniciais”, diz.
O titular da Sear, Arlindo Figueiredo, apresentou cópia da gravação feita pela prefeitura durante a apresentação da fita na sessão da Câmara de ontem. “Vim aqui registrar o boletim porque me senti atingido moralmente por ter sido citado. Quero que tudo seja apurado, até as últimas conseqüências”, aborda.
Figueiredo teria tido seu nome mencionado em função dos serviços prestados terem sido contratados através de sua pasta.
Cardia adiantou que o inquérito será conduzido pela Delegacia Seccional. “Vai ser realizada perícia do material apresentado e também será solicitada a apresentação do conteúdo integral da gravação. Depois serão ouvidas as demais pessoas”, antecipa.