Depois de sete anos competindo nos EUA, o piloto bauruense Aírton Daré anunciou ontem sua volta às pistas brasileiras. Darezinho vai disputar o Brasileiro de Stock Car pela Equipe Giaffone, pela qual já tem presença confirmada na primeira etapa do torneio, que será disputada no dia 28 deste mês, em Curitiba.
Esta será a primeira corrida de Daré no Brasil desde 1997, quando iniciou a carreira que o transformou em um dos mais tradicionais nomes da principal categoria de monopostos dos Estados Unidos, a Indy Racing League (IRL).
O piloto de Bauru decidiu correr na Stock Car brasileira depois de ficar a segunda metade do ano passado sem correr, devido a uma fratura do fêmur direito. A contusão aconteceu em decorrência de um acidente, em junho, no circuito oval do Texas durante treinos da IRL, quando uma peça da suspensão dianteira de seu carro se soltou a mais de 350 km/h.
De volta a Bauru, ele amenizava as sofridas sessões de fisioterapia diante da televisão. O longo período junto à família e aos amigos o levou a amadurecer a decisão. “A Stock Car permite aos pilotos viverem de sua profissão sem ter que deixar o Brasil”, constata. “O espetáculo é de primeira qualidade e suas corridas não ficam atrás. Há pilotos de altíssimo nível, que brilhariam em qualquer categoria”, completa.
O piloto, entretanto, não espera vida fácil na nova categoria. “Sei que vou ter muitas dificuldades nas primeiras corridas porque os carros de turismo são muito diferentes dos monopostos que guiei a minha vida toda, mas estou disposto a aprender. Para isso, conto com a experiência do Affonso Giaffone, que antes de ser dono de equipe foi um dos principais pilotos da Stock”, declara o bauruense.
Sobre o acidente, Darezinho fala pouco. “Isso é passado. Agora, vou começar do zero na Stock Car. Quando estava na F-Chevrolet, corri em algumas das pistas que a Stock vai visitar neste ano, mas os carros são tão diferentes que é melhor apagar tudo e começar de novo”, analisa.
A nova fase parece empolgar o piloto, que ainda demonstra paixão pela terra natal. “Estou muito entusiasmado com esse recomeço, ansioso como um estreante. E ainda tem a vantagem de terminar as corridas e voltar para Bauru, o que era impossível nos últimos sete anos”, sentencia Daré.
Apesar do sucesso no automibilismo, Darezinho iniciou sua carreira como corredor de jet ski. Em 1995, foi para a Fórmula Uno. No ano seguinte, se transferiu para a Fórmula Chevrolet, pela qual fez o primeiro contato com os monopostos.
Decidido a se profissionalizar, escolheu a Indy Lights e ingressou na equipe Bryan Stewart em 97. No ano seguinte, Daré passou para a equipe Tasman e obteve suas primeiras vitórias. Contratado pelo Team Xtreme, foi para a IRL em 2000 e ganhou o título de Estreante do Ano e o sétimo lugar no campeonato.
Apesar do sucesso, a equipe perdeu os patrocinadores e fechou as portas no final de 2001. Em 2002, Daré disputou a IRL pela AJ Foyt, pela qual viveu o melhor e o pior. Ao mesmo tempo em que conquistou sua única vitória na categoria, no circuito oval do Kansas, Daré teve uma convivência difícil com o chefe da equipe.
No ano passado, a AJ Foyt entrou em crise e Daré foi preterido pelo piloto japonês Shigeaki Hattori que pagava para correr e AJ Foyt IV, filho do dono da equipe. No entanto, o bauruense chegou a disputar as 500 Milhas de Indianápolis pela equipe de Foyt. O acidente de junho, pode ter sido o último capítulo da carreira de Darezinho nos EUA, prólogo trágico para uma nova fase que pode ser de muito sucesso.