Jaú – A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jaú apreendeu ontem pela manhã mais de 100 peças de caminhões em uma residência de Mineiros do Tietê (65 quilômetros a Sudeste de Bauru), que teriam sido adquiridas de forma irregular. Segundo a polícia, há indícios de que as mercadorias, avaliadas inicialmente em cerca de R$ 40 mil, seriam fruto de estelionato.
O produto teria sido adquirido por uma empresa sediada em Dois Córregos, cujo nome está sendo preservado porque o inquérito não foi concluído. Três das cinco pessoas que estão sendo investigadas no caso, por formação de quadrilha, já responderam inquérito pelo mesmo crime.
Entre as peças apreendidas estão amortecedores, câmbio, pinhão, coroa, rolamentos e lonas de freio. Até o fechamento desta edição, os produtos ainda estavam sendo listados. “Parte das peças já foi identificada como fruto de estelionato”, diz o titular da DIG, Edmilson Bataier.
Segundo ele, cerca de 20 fornecedores de peças automotivas, entre eles de Bauru, Piracicaba, Torrinha, e até mesmo de Goiânia (GO), registraram queixa na polícia pelo não pagamento de duplicatas por parte da transportadora.
“Eles (investigados) teriam adquirido quantias altas de peças dos fornecedores e depois não teriam pago”, explica Bataier.
A empresa já vinha sendo investigada pela polícia desde o ano passado e, ontem, com um mandado de busca e apreensão, policiais da DIG de Jaú e de Mineiros do Tietê localizaram as mercadorias em uma residência da rua Aquidaban. As peças, segundo Batair, foram recolhidas em Jaú.
A polícia deve entrar em contato com os fornecedores que registraram os boletins de ocorrência para que façam a identificação do material e sejam restituídos.
Um dos investigados na apreensão de ontem, o empresário P. (o nome está sendo preservado pela polícia até a conclusão do inquérito), foi preso em setembro do ano passado sob acusação do mesmo crime.
“P. seria um dos líderes e utilizaria alguns testas de ferro, que seriam, em tese, pessoas humildes”, afirma Bataier. “Ele precisa de pessoas com nome limpo para constituir a empresa e poder adquirir o material das fornecedoras”, diz.
Segundo ele, esses “laranjas” ganhariam uma quantia em dinheiro para constar como proprietários do negócio, entretanto, na prática, o empresário, que mantém uma frota de caminhões, seria o verdadeiro administrador.
Bataier afirma que há indícios de que as peças que supostamente seriam fruto de estelionato estariam sendo utilizadas na manutenção dessa frota. A reportagem não conseguiu localizar ontem, por telefone, o advogado do empresário para comentar o assunto.
Além dos cinco investigados, Bataier não descarta a participação de outras pessoas no caso. A polícia também considera a possibilidade de encontrar, durante as investigações, outros equipamentos que seriam supostamente produto de estelionato.
Mudança
Segundo Bataier, a empresa de Dois Córregos teria começado a atuar no lugar de outra distribuidora de peças que foi alvo de intensa investigação policial no ano passado.
“A estratégia deles seria mudar o nome da empresa. Isso porque, às vezes, uma empresa já não tem mais crédito e eles passam para outra, cujo cadastro ainda está limpo, para iludir os fornecedores”, diz.
Segundo o delegado, há indícios de que a empresa teria sido fechada recentemente e os responsáveis estariam atuando sob a fachada de uma outra empresa.
Durante a operação de apreensão das peças, a polícia deslocou-se até o prédio da empresa, entretanto, de acordo com o delegado, o local estaria com as portas fechadas.
Bataier acredita que parte dos investigados no caso de ontem estariam atuando na região desde o início de 2003.