O JC do último dia 28/2 noticia que o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente cria placa contra esmolas, para dificultar a permanência de menores pobres nos cruzamentos da cidade, onde pedem dinheiro. Vou dar minha opinião,
Para mim, pedir é um direito. Dá quem quer. Suponhamos: fulano A é abordado por fulano B, que, de revólver em punho, diz que o vai matar. A resolve pedir a B que não o mate. Acho que A tem esse direito. Suponhamos ainda: qualquer um de nós, numa cidade estranha, caindo neve, vê-se roubando, sem dinheiro, sem agasalho, com fome, sem ter para onde ir. Acho que esse qualquer um de nós pediria a seus semelhantes algum auxílio. Calcule se chegasse alguém e sugerisse às pessoas próximas que não dessem esmolas a pessoas como esse qualquer um de nós.
O adulto pede a Deus o de que necessita e, muitas vezes, até aos seus semelhantes. Não se pode dificultar que a criança o faça. Disse Jesus: “E eu digo a vós: pedi e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á; porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate, abrir-se-lhe-á.” (Lucas 11\9,10) A oração Pai Nosso (Mateus 6\9a13, Lucas 11\2a4) constitui-se, quase toda, de pedidos. E ela fala justamente em pão: “O pão nosso de cada dia...” Insiste ainda Jesus: “E dê a qualquer que te pedir.” (Lucas 6\30) E ele ainda disse a seus discípulos que, mesmo depois de ir-se deste mundo, faria pedido ao Pai. (João 14\16) Mesmo suspenso no madeiro, ele ainda pediu ao Pai que perdoasse a turba, porque ela não sabia o que estava dizendo. (Lucas 23\34).
Jesus é o modelo de Cristandade. Já que ele pediu e recomendou que pedíssemos quando tivéssemos necessidade, acho que não é preciso dizer mais nada para saber que pedir é um direito. Não se pode garantir que qualquer dessas crianças, ao verem-se privadas das moedinhas que recebiam, não se vejam diante da contingência de roubar.
Euclydes Geraldis de Carvalho