A delegada-assistente da Seccional de Bauru, Cláudia Garms Armani, enviou ontem ao Fórum mais dois inquéritos policiais que apuram a participação dos vereadores José Carlos Batata (PT) e Paulo Madureira (PP) em denúncias de irregularidades em viagens com veículos oficiais da Câmara Municipal.
Os inquéritos, realizados a pedido do Ministério Público (MP), serão distribuídos aos promotores criminais para avaliação e, se necessário, vão ser encaminhados à Justiça após denúncia.
Além dos dois processos, já estão tramitando no Fórum as apurações envolvendo os vereadores Paulo Eduardo Martins Neto (PFL), José Humberto Santana (PTB), José Eduardo Ávila (PP), Catarina Carvalho (PFL) e Leandro dos Santos Martins (PP). O ex-vereador Osvaldo Paquito (PPS) também está sendo investigado, assim como o ex-assessor de cerimonial do Legislativo, Gino Crês.
Cláudia Garms Armani ainda está terminando as apurações referentes a denúncias envolvendo os vereadores Milton Dota Jr. (PTB), Pastor Luiz (PTB) e os ex-vereadores Lucrécio Jacques (PDT) e Harley Caçador (PSDC).
O promotor criminal João Henrique Ferreira, um dos responsáveis pelas apurações, chegou a levantar possíveis falsificações de assinaturas de vereadores em prestações de contas de viagens fantasmas realizadas nos anos de 2001 e 2002. Os nomes dos vereadores cujas assinaturas teriam sido falsificadas estão sob sigilo.
As denúncias de viagens fantasmas no Poder Legislativo foram levantadas durante a realização da Comissão Especial de Inquérito (CEI) das Compras. O caso foi parar no Ministério Público (MP), que apura, desde o início do ano passado, os processos e prestações de contas das viagens de 2001/2002.
As suspeitas de irregularidades foram levantadas especificamente sobre as despesas de viagens referentes aos meses de março e abril de 2001. No primeiro mês, foram computados gastos com R$ 8 mil entre diárias, despesas de hotel, alimentação e combustível. No segundo, mais R$ 15 mil.
O valor alto das despesas chamou a atenção porque nos meses anteriores a média não ultrapassava a casa dos R$ 4 mil. Um grupo de funcionários e vereadores da Câmara - citado nos relatórios de viagens - depôs e confirmou o desconhecimento das viagens.
O promotor decidiu, então, não se ater a apuração especifica dos meses de março e abril de 2001. Sua investigação se ampliou integralmente aos dois anos. Foram analisadas mais de 100 viagens realizadas no período.
Os municípios mais citados nos relatórios de viagens são Panorama (no extremo oeste do Estado), Regente Feijó (região de Presidente Prudente) e Americana (região de Campinas).